Projeto Educom&Clima, da Escola de Comunicações de Artes da USP, participa da COP30 e da Casa da Educação e Inovação Ambiental e Climática, reunindo especialistas em São Paulo e Belém

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O projeto Educom&Clima, promovido por pesquisadores da Escola de Comunicações de Artes (ECA) da USP, está participando da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, e da Casa da Educação e Inovação Ambiental e Climática que reúne em São Paulo e em Belém, educadores, pesquisadores, comunicadores e gestores públicos de todo o Brasil entre os dias 10 e 14 de novembro. A iniciativa é uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação do Pará e a Revista Letramento SocioAmbiental e tem como uma de suas principais metas promover uma agenda de educação e ação climática após a COP30.
A ideia surgiu do encontro entre a editora da revista, Denise Pini, e a professora Thaís Brianezi, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA) da ECA, uma das coordenadoras do projeto de pesquisa. “Quando o projeto Educom&Clima publicou sua agenda de políticas públicas e ela circulou na Coalizão Brasileira pela Educação Climática (CBEC), a editora da Letramento Socioambiental, Denise Pinni, leu o texto e nos convidou para organizar um dossiê sobre Educomunicação, justiça climática e bem-viver. A chamada foi tão bem sucedida que Denise teve a ideia de fazer o lançamento na COP30”, conta Thais. Ao longo das conversas e busca de parcerias para o lançamento do dossiê, a proposta ganhou contornos mais ambiciosos. “O escopo foi crescendo, novos parceiros surgindo, e veio a ideia de fazer no Centro de Inovação e Sustentabilidade da Educação Básica (Ciseb), que fica a 600 metros da área oficial da COP30, a Casa da Educação e Inovação Ambiental e Climática”, afirma a docente.

“Como diz Eliane Brum, no ótimo livro Banzeiro Okotó, ‘o nós desfaz todos os nós’. Enfrentar a emergência climática é uma urgência e um grande desafio, que precisa de ação coletiva coordenada. E a experiência de organizar o dossiê Educomunicação, bem-viver e justiça climática reforçou o quanto há — nos diversos territórios — grupos potentes trabalhando com educação, comunicação, educomunicação e ativismo ambiental e climático Brasil afora. A gente precisa de toda essa potência, para ampliar seu alcance e impacto”, destaca Thais Brianezi, professora do Departamento de Comunicações e Artes (CCA) e coordenadora do projeto Educom&Clima.
O dossiê organizado pelo projeto Educom&Clima e a revista Letramento Socioambiental foi selecionado para integrar a Agenda de Ação da COP30, e será apresentado no Celeiro de Soluções, em Belém, durante a conferência. O Celeiro de Soluções é um repositório de ações concretas e estudos de caso com impactos positivos sobre as pessoas, o clima e a economia e que contribuem para o avanço da agenda climática.
Com 88 textos inéditos de todo o Brasil, o dossiê foi dividido em quatro números, com as seguintes temáticas: educação climática transformadora e currículo escolar; justiça climática, racismo ambiental e territórios de resistência; educomunicação, mídia e desinformação climática; sentidos, culturas e saberes ecoafetivos.
Para ter uma visão geral do dossiê, confira o artigo Educação que se insurge diante do colapso: um mapeamento social participativo para uma nova ecologia de saberes.
De São Paulo a Belém e vice-versa
A programação da Casa da Educação e Inovação Ambiental e Climática inclui rodas de conversa, exposições, vivências e lançamento de publicações sobre temas como o protagonismo juvenil e estudantil na educação climática, o racismo ambiental e a desinformação climática. Também merece destaque o webinário Educação Ambiental Climática, que acontece no dia 13 simultaneamente em Belém e São Paulo, no Auditório Lupe Cotrim da ECA, com transmissão ao vivo pelo canal do Laboratório de Inovação, Desenvolvimento e Pesquisas em Educomunicação (Labidecom) no Youtube, que também transmitirá outras atividades da programação. O webinário fará o lançamento do dossiê, apresentando resultados de trabalhos de cerca de 200 autores de todas as regiões do Brasil que destacam práticas inovadoras e experiências educativas no enfrentamento da crise climática.

O projeto Educom&Clima também será representado em solo paraense por Fernanda Lazar, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM). “Espero fortalecer o diálogo entre pesquisa, educação e ação climática, ampliando as trocas com educadores(as), pesquisadores(as), movimentos sociais e outros atores nacionais e internacionais comprometidos com a transformação socioambiental.” Para a pesquisadora, a presença no evento possibilitará também “afirmar o papel essencial da educação ambiental e da educomunicação nas discussões sobre a emergência climática”. Fernanda desenvolve, sob orientação da professora Thais, um estudo sobre um curso de educomunicação socioambiental para docentes de escolas municipais de São Paulo, a fim de “compreender os impactos da abordagem educomunicativa na construção de escolas mais sustentáveis e resilientes diante da emergência climática”, resume a pesquisadora.
A Casa da Educação promovida pelo Educom&Clima e parceiros se soma a outras ações na COP30 com foco na educação ambiental. A professora Thais conta que a programação da conferência irá dedicar o dia 12 de novembro ao tema da educação, com destaque para uma série de atividades organizadas pelo Ministério da Educação. E há muito a ser debatido e feito, já que o papel da educação e da comunicação no enfrentamento à emergência climática ainda é pouco reconhecido nas políticas e acordos internacionais, de acordo com a docente.
“É preciso que os países se comprometam com ações de educação climática nas suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), por exemplo. E que o financiamento climático também seja direcionado para educação. E isso é algo que não se resolve em uma só COP e nem apenas no âmbito das COPs. Por isso, a articulação e pressão da sociedade civil na COP30 pode ajudar a fortalecer essa agenda, que deve ser permanente e se traduzir em ações concretas. (…) As negociações e resultados da COP-30 precisam reconhecer que sem educação não haverá justiça climática”, ressalta Thais.
Sobre o projeto Educom&Clima
Oficialmente intitulado Como a educomunicação pode ampliar e qualificar as práticas de educação ambiental climática na Educação Básica no Brasil?, o projeto Educom&Clima é desenvolvido no âmbito do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O estudo investiga como as práticas educomunicativas podem contribuir para que o conhecimento sobre a emergência climática seja apropriado de forma crítica e criativa pelas comunidades escolares.
Dentre os resultados do projeto divulgados até agora, vale destacar a elaboração de um banco de dados com mais de 200 organizações que trabalham com educação, comunicação, educomunicação e ativismo para enfrentamento à emergência climática, publicado no Sistema Brasileiro de Monitoramento e Avaliação de Educação Ambiental (MonitoraEA). Também foi desenvolvido o curso à distância Educomunicação e Clima, com carga horária de 60h e voltado para docentes da educação básica. A formação tem previsão de lançamento para o dia 28 de novembro, em Brasília, como uma das ações do Programa de Educação para Cidadania e Sustentabilidade. Depois do lançamento, estará disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação (MEC).
O projeto Educom&Clima é coordenado pela professora Thais Brianezi e pelo professor Ismar de Oliveira Soares, tem parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e apoio do Ministério da Educação (MEC) e da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Para saber mais, acompanhe o projeto no site, Instagram e Linkedin.
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Texto: Amanda Ferreira, do LAC – Laboratório Agência de Comunicação
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