O médico pediatra João Paulo Lotufo aproveita a realização da COP30, em Belém do Pará, para tratar do perigo representado pelos microplásticos, partículas de plástico com menos de 5 mm de diâmetro que podem se originar da degradação de plásticos maiores ou serem produzidos intencionalmente para uso em produtos como cosméticos e produtos de limpeza. Segundo Lotufo, eles estão se tornando cada vez mais comuns no meio ambiente e, consequentemente, no corpo humano. Podem entrar no organismo por meio de ingestão de água, alimentos, bem como pela inalação de partículas presentes no ar, tendo já sido encontrados em órgãos como pulmões e sangue. Um estudo da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, revelou que todos os anos cerca de 300 mil toneladas de fibras microplásticas originárias exclusivamente de bitucas de cigarro são descartadas indevidamente no meio ambiente. Esse volume equivale a toda a coleta de lixo domiciliar no período de um mês feito pela Prefeitura de São Paulo, por exemplo.
Já uma pesquisa feita na Universidade Federal de Alagoas, junto com uma universidade do Havaí, encontrou, pela primeira vez no Brasil, pedaços de microplásticos em placentas e cordões umbilicais de gestantes atendidas pelo SUS de Maceió, “isso significando que as crianças já podem nascer com plástico dentro do corpo. Os cientistas afirmaram que 75% do lixo de Maceió é de plásticos. Além disso, eles afirmam que a falta de acesso correto à água, o pessoal usando água envasada em plástico, e a irradiação do sol, liberando partículas de plásticos, podem ser uma das causas, mas as bitucas contribuem com uma boa parte desse material. Existem os microplásticos e os nanoplásticos, que são partículas ainda menores e acumulam-se também no cérebro humano, como no fígado e nos rins, mas os estudos encontraram concentrações significativas mais altas de microplásticos e nanoplásticos em amostras de 2024 em comparação com as amostras de 2016 e níveis mais altos em cérebros de pessoas diagnosticadas com demência. Precisamos de mais estudos nessa área, mas, em resumo, estamos expostos cada vez mais a níveis cada vez maiores de micro e nanoplásticos. Portanto, fumantes, parem de jogar bitucas na rua e vamos reciclar o que for possível, as nossas garrafas PET e outros plásticos. O planeta e a nossa saúde agradecem”.