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USP de Ribeirão Preto recebe a quarta edição da Semana da Consciência Negra – Jornal da USP


O evento tem como tema “Ainda Não é Uhuru!’ Negritude, liberdade e ingovernabilidade” e acontecerá entre os dias 17 e 19 de novembro na Faculdade de Direito de Ribeirão Preto

A semana tem como inspiração o álbum de 1996, Not Yet Uhuru, da cantora sul-africana, Letta Mbulu – Foto: Reprodução/Instagram/Coletivo Negro USP-RP

O mês de novembro é marcado por eventos e atividades que celebram e reafirmam a presença e luta negra nos espaços acadêmicos, culturais e da sociedade. A Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP receberá entre os dias 17 e 19 de novembro a IV Semana da Consciência Negra da FDRP/USP, com o tema “Ainda Não é Uhuru!” Negritude, liberdade e ingovernabilidade. O objetivo da semana é reafirmar o compromisso da faculdade contra as estruturas racistas e questionar a produção e reprodução das desigualdades raciais no Brasil.

Por meio de mesas redondas, oficinas e intervenções artísticas, a iniciativa busca dar continuidade aos caminhos abertos por outras pessoas e promover debates que contribuam para repensar as estruturas que organizam a sociedade brasileira, o papel do Estado, das instituições jurídicas e sistemas de justiça. Além da valorização das epistemologias negras a partir da superação das formas históricas de subalternização. As atividades são abertas para a comunidade interna e externa da faculdade, sem a necessidade de inscrição prévia e contará com a participação de pesquisadores e ativistas do Brasil, Estados Unidos, Colômbia e África do Sul.

“Ainda Não é Uhuru!”

Inspirados no álbum de Letta Mbulu, Not Yet Uhuru, lançado em 1996, a semana busca refletir sobre as desigualdades e falsas promessas ainda vividas pela população negra. Mbulu é uma cantora sul-africana, seu álbum de 1996 denunciava a falsa liberdade pós-apartheid na Africa do Sul.

A palavra suaíli, Uhuru, significa liberdade. A obra chamava a atenção para a não chegada da Uhuru para a população negra sul-africana. Enquanto houvesse a manutenção do genocídio e dos mecanismos de silenciamento, a liberdade não chegaria. Sob essa perspectiva, “quase vinte anos depois, a Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, ocupou Brasília, em 2015, e ressoou essa mesma verdade no Brasil. Ainda não podemos afirmar viver em Uhuru, uma vez que o mundo tal como o conhecemos foi construído sobre a desumanização negra”, afirmam os organizadores do evento.

Em 2015, a Marcha das Mulheres Negras reivindicava um pacto civilizatório, no qual a população negra sobrevive e floresce, sob a equidade e valorização de suas histórias. De volta às ruas de Brasília, dez anos depois, a população negra reafirma sua luta na 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. Inspirados por essa luta constante, a Semana da Consciência Negra se apresenta como um espaço de articulação, debate e reivindicação por justiça e equidade, por reparação e bem viver, por meio da articulação nacional e internacional.

A IV Semana da Consciência Negra da FDRP/USP é uma realização da FDRP em parceria com o Coletivo Negro USP-RP, o Núcleo de Estudos e Pesquisas Jurídico-Raciais Esperança Garcia (NUEPEG), o Centro de Referência Popular (CERPO) e o Comitê Local da Marcha das Mulheres Negras. O evento conta com o apoio do Ministério da Igualdade Racial.

Programação

17 de Novembro

Mesa de abertura: “Ainda não é Uhuru!”
Horário: 9 horas

Mesa 1: Filosofias e Estéticas Negras
Participantes: Aline Serzedello, Katiuscia Ribeiro e Slam da Cana
Horário: 10 horas

Programação cultural:

Exposição artística: Bruna Liz
Horário: 14 horas

Slam (Des)Afeto
Horário: 14 horas

18 de Novembro

Mesa 2: Ativismo Feminista Negro e Respostas Políticas na Diáspora
Participantes: Adria Maria Bezerra, Cristina Moreno e Patrícia Carvalho
Horário: 10 horas

Programação cultural:

Capoeira: Centro Cultural Isègun
Horário: 11h30

Ballroom RP
Horário: 15 horas

19 de Novembro

Mesa 3: Terror Sexual e Questão da Negritude
Participantes: Othandwayo Mgqoboka e Joy James
Horário: 10 horas

Programação cultural:

Exposição artística: Dona Maria Helena
Horário: 14 horas

Percussão “Percussamor”
Horário: 14 horas

Local: Anfiteatro da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto – Av. Bandeirantes, 3900 – Vila Monte Alegre, Ribeirão Preto – SP.

Com informações da organização do evento, da FDRP da USP.





Fonte