Sawamura explica que o diagnóstico precoce do câncer de pulmão é ainda mais desafiador, uma vez que o exame indicado — a tomografia computadorizada de baixa dose (LDCT) — utiliza, por natureza, uma quantidade reduzida de radiação, o que pode comprometer a nitidez das imagens. “O câncer de pulmão pode começar como um nódulo muito pequeno no pulmão. Então a ideia foi replicar isso, porque a gente precisa conseguir ver na imagem esses nódulos de 2, 3 milímetros”, diz.
Surgiu daí a preocupação de emular a densidade dos nódulos, assim como seriam os de uma pessoal real. Reproduzir esse comportamento foi um dos desafios da pesquisa, já que, em muitos casos, o câncer de pulmão se manifesta inicialmente como “uma opacidade tênue”, chamada de opacidade de vidro fosco (OVF), que aparece na tomografia como uma área fosca. “Depois ele se solidifica, fica mais denso, mais fácil de a gente ver.”
Por esse motivo, os pesquisadores têm publicado trabalhos que abordam a volumetria dos nódulos. O professor Costa explica que a medição do volume dos nódulos é uma ferramenta importante na decisão clínica: “Esse volume vai indicar a necessidade de que, daqui a 400 dias, o paciente faça outra tomografia. Se este nódulo dobrou de volume em 400 dias, ele tem um prognóstico de câncer mais bem determinado. Se o nódulo não mudar, é outro prognóstico.”
A pergunta que orientou esses avanços, de acordo com ele, foi pensar no que os parâmetros de qualidade dizem sobre como o radiologista vê a imagem. Como os phantoms comerciais não respondem a essa demanda, a equipe decidiu desenvolver um modelo próprio. “Têm poucos phantoms distribuídos em um país deste tamanho e precisamos desenvolver tecnologia nacional. Isso é um desafio que a gente está adotando”, acrescenta o professor.
O phantom híbrido é resultado da construção de objetos com impressora 3D. Sem ela, “seria praticamente impossível fazer isso em custos razoáveis”, uma vez que os phantoms são aquisições de alto custo.


