quinta-feira, maio 14, 2026
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Presidente da COP30 destaca clima positivo dos primeiros dias da conferência – Jornal da USP


Segundo André Corrêa do Lago, “há fortes indicadores de que todos querem mostrar ao mundo que o multilateralismo funciona”

Pessoas circulando numa grande área coberta e um banner escrito COP30 Brasil
Do ponto de vista diplomático, alguns analistas acreditam que a ausência dos EUA pode ser benéfica para o avanço das negociações na COP ,Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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O terceiro dia da COP 30 em Belém transcorreu em clima de otimismo, ontem (12), com negociadores brasileiros relatando um espírito de colaboração entre países que  “não se via há muito tempo”. O diretor de Estratégia e Alinhamento da Conferência, Túlio Andrade, disse que a maioria dos países aderiu ao espírito de “mutirão” contra a mudança do clima, que a presidência da COP vem tentando semear entre os participantes do evento — apesar do cenário geopolítico atual ser pouco favorável a esse tipo de parceria no momento. 

“Bom, a gente está com um otimismo que tem a ver como a gente está vendo as partes interagirem entre si. Então, a gente está num contexto realmente muito desafiador geopoliticamente. Então, a gente teria todos os elementos para a gente ter um cenário aqui em Belém em que também a gente teria uma casa dividida. O que a gente está vendo é que esse chamado da presidência brasileira, de que o mundo e as partes se unam em torno de um mutirão, está realmente tendo um impacto.” Andrade também comentou a ausência dos Estados Unidos e de como isso estaria influenciando o encontro. “Todos os países estão unidos em torno de um compromisso comum com o multilateralismo e com o Acordo de Paris. Então, se a saída de um grande ator significou um desafio, esse desafio estimulou as partes a redobrarem o comprometimento com o Acordo de Paris e com o multilateralismo. Isso é muito legal de ver.”

Apenas quatro países — ou “partes” da convenção, como são chamados no âmbito diplomático — não enviaram delegações a Belém: Afeganistão, Mianmar, São Marino e os Estados Unidos da América, nada mais, nada menos do que o maior emissor histórico de gases do efeito estufa do planeta e atualmente o segundo maior emissor, depois da China. O presidente Donald Trump trata a mudança climática como uma farsa. Ele retirou os EUA do Acordo de Paris, cancelou várias políticas de desenvolvimento sustentável e promete investir pesado na exploração de mais petróleo. Não há dúvida de que isso representa uma ameaça à capacidade do planeta de frear o aquecimento global  — afinal de contas, é a maior economia do mundo e o segundo maior produtor de gases do efeito estufa jogando contra todo o processo.

Por outro lado, do ponto de vista diplomático, alguns analistas acreditam que a ausência dos EUA pode ser benéfica para o avanço das negociações na COP, já que todas as decisões precisam ser tomadas por consenso, e isso daria aos EUA a possibilidade de travar as negociações.

Clima positivo

Em entrevista coletiva, o presidente da COP de Belém, embaixador André Corrêa do Lago, também destacou o clima positivo dos primeiros dias da conferência. Segundo ele, “há fortes indicadores de que todos querem mostrar ao mundo que o multilateralismo funciona”. Resta saber, porém, se esse clima de camaradagem vai sobreviver até o fim da conferência, no dia 21 de novembro.“ No momento, todo mundo está contribuindo de maneira incrível, tanto que a gente conseguiu começar no dia. Então, eu estou otimista que está um ambiente muito positivo, mas é uma negociação muito complexa, com muitas sensibilidades e muita coisa pode mudar”, salienta o embaixador.

Sem falar que nem tudo na conferência foi um mar de rosas até aqui. Na noite de terça-feira (11), um grupo de ativistas tentou entrar na área restrita da conferência e foi repelido pelos seguranças do local,  causando um grande tumulto e obrigando o evento a fechar as portas mais cedo. Um dos temas do protesto era a exploração de petróleo na foz do Amazonas, apoiada pelo governo brasileiro, apesar dos avisos dos cientistas de que é preciso cortar drasticamente e imediatamente o uso de combustíveis fósseis para frear o aquecimento do planeta.

Aliás, uma das principais críticas à COP de Belém é que o tema dos combustíveis fósseis não está sendo discutido — segundo Correa do Lago, porque não há consenso entre os países para incluir esse assunto na agenda oficial de negociações. A agenda que foi aprovada tem 145 itens, divididos em cinco grande categorias. Os temas considerados prioritários para as negociações incluem adaptação, transição justa e financiamento para países pobres e em desenvolvimento lidarem com a crise climática.

Outro ponto colocado como prioritário pela conferência é a inclusão de povos tradicionais e populações vulneráveis nos processos de discussão. Na terça-feira foi inaugurada a Aldeia COP, um espaço montado na Universidade Federal do Pará para receber até 3 mil indígenas, e ontem foi inaugurada a Cúpula dos Povos, um evento paralelo à COP 30, organizado por movimentos sociais, povos tradicionais e outros representantes da sociedade civil para discutir de forma autônoma os desafios e as injustiças da crise climática.


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