quinta-feira, maio 14, 2026
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Anvisa veta uso de glitter decorativo em alimentos – Jornal da USP


Somente produtos feitos com ingredientes comestíveis e aprovados pela agência poderão ser usados na decoração de alimentos

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Imagem mostra uma mão segurando um garfo e prestes a se servir de um pedaço de torta enfeitada com glitter e cercada de cerejas. O prato descansa sobre um fundo vermelho
O glitter é uma das formas de liberação de plástico no ambiente Foto: KamranAydinov/Freepik
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso de glitter decorativo ou colorido que não seja produzido especificamente para consumo alimentar. A decisão vem após alertas sobre os riscos que esses produtos podem representar à saúde e ao meio ambiente.

Fábio Rodrigues, professor do Instituto de Química da USP, explica que o glitter tradicional é composto por pequenas partículas de plástico revestidas com corantes, materiais que não são adequados para o consumo humano.

Fabio Rodrigues – Foto: IQ-USP

“Esses plásticos e corantes não são feitos para serem ingeridos. Mesmo que não haja uma toxicidade comprovada, eles não foram liberados para uso alimentar”, destaca o professor.

Segundo o químico, quem deseja usar produtos com efeito brilhante em bolos e doces deve optar pelos glitters comestíveis, fabricados com ingredientes próprios para a indústria alimentícia, como açúcar, amido ou gelatina, além de corantes alimentares aprovados pela Anvisa.

“É muito diferente um material feito para ser comido de outro que não tem comprovação de segurança. Por isso, é importante verificar se o rótulo informa que o produto é para consumo humano e se tem registro na Anvisa”, orienta.

Risco de contaminação

O professor também alerta para os impactos ambientais do glitter plástico, que pode se transformar em microplástico e contaminar rios e oceanos.

“Essas pequenas partículas acabam indo para o esgoto e se acumulando nas águas. O glitter é uma das formas de liberação de plástico no ambiente”, explica.

Nos últimos anos, surgiram no mercado os chamados ecoglitters, que se degradam no meio ambiente e reduzem o impacto ambiental. No entanto, o especialista faz um alerta: “Mesmo sendo biodegradável, o ecoglitter não é necessariamente comestível. O consumidor deve sempre verificar se o produto é próprio para alimentos.”

O professor reforça que, independentemente de haver comprovação de danos à saúde, o glitter comum não foi feito para ser ingerido, e por isso, não deve ser usado em alimentos. “O melhor é não consumir. Para decoração de comidas, use apenas os produtos feitos e aprovados para esse fim”, conclui.


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