São diversas as doenças que levam ao comprometimento da circulação microvascular da cabeça femoral, entre elas: compressão dos vasos por acúmulo de gordura na medula óssea; uso de corticosteroides; alterações da fisiologia normal do tecido ósseo; danos mecânicos às células ósseas; e abuso de álcool. A literatura científica relata que o abuso de álcool com a ingestão de mais de um litro por semana aumenta os riscos em quase 18 vezes. Sobre a dificuldade para padronização das intervenções, o médico exemplifica: “Um paciente que faz uso de corticoides, por exemplo, pode responder de forma diferente de um paciente com HIV”.
A grande dificuldade é que a resposta ao tratamento pode variar conforme a causa da necrose. Por isso, é difícil determinar um tratamento específico conforme o perfil clínico do paciente, o tamanho e a localização da lesão – Helder Miyahara
A classificação dos quadros clínicos mais utilizada é a de Ficat e Arlet, que é baseada em achados clínicos, radiográficos e anatomopatológicos. Ela, porém, não permite prever como a doença tende a se desenrolar – falta de informação é uma das principais fontes de angústia dos pacientes. Já na classificação Arco e Kerboul, o tamanho e localização das lesões medidas em exames de tomografia e ressonância magnética permitem ao especialista dar mais informações sobre o prognóstico.
O tratamento da osteonecrose da cabeça femoral inclui medidas não cirúrgicas, como uso de analgésicos, apoio para marcha, fisioterapia, além de outras terapias auxiliares que tem sido testadas, mas ainda sem evidências robustas. Já as intervenções cirúrgicas podem ir desde a descompressão simples até os procedimentos mais complexos, como enxertos ósseos, ou a reconstrução do quadril em casos avançados.


