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Doutorandos são premiados no Congresso Internacional de Ciências Farmacêuticas – Jornal da USP


Prêmio de Melhor Apresentação Oral foi concedido a pesquisas sobre câncer e toxicologia ambiental

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(Gabriel Cezarette Cifarp) A imagem mostra três pessoas em pé, sorrindo, em um palco de evento. A pessoa ao centro segura um certificado, enquanto as duas mulheres ao lado, uma de vestido azul e outra de colete claro, posam junto a ele. Ao fundo, há uma projeção ampliada da cena no telão. (Thaís Milan Cifarp) A imagem mostra uma mulher apresentando em um auditório. Ela está em pé atrás de um púlpito transparente, segurando um microfone, enquanto um slide com mapa e informações aparece projetado na tela atrás dela. Ela usa crachá, blazer escuro e calça clara. O ambiente é iluminado e tem carpetes com padrão geométrico.
Doutorandos ganham Prêmio de Melhor Apresentação Oral no Congresso Internacional de Ciências Farmacêuticas – Fotos: Arquivo pessoal

Dois doutorandos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP receberam o Prêmio de Melhor Apresentação Oral no 15º Congress International of Pharmaceutical Sciences (Cifarp), que teve como tema Pharmaceutical Sciences in the Era of Innovative Technologies and Global Health Challenges (Ciências Farmacêuticas na Era das Tecnologias Inovadoras e dos Desafios Globais em Saúde). O evento reuniu pesquisadores de todo o mundo para discutir os avanços científicos que moldam o futuro da área farmacêutica.

As apresentações orais ocorreram ao longo de dois dias de programação no final de outubro, com sete trabalhos selecionados em cada sessão. Entre eles, os estudos de Thaís Moré Milan e Gabriel Neves Cezarette se destacaram.

No dia 29, Thaís apresentou o trabalho Exploring the Sphingosine Kinase 2-p53 Interplay in 3D Bioprinted Head and Neck Cancer Organoids (Explorando a interação entre Sphingosine Kinase 2 e p53 em organoides de câncer de cabeça e pescoço bioprintados em 3D), que investiga mecanismos moleculares envolvidos na progressão do câncer de cabeça e pescoço. Já no dia 30, Gabriel apresentou o trabalho New Evidence of Selenium driving internal Mercury partitioning in Amazonian Riverside Populations (Novas evidências de que o selênio influencia a redistribuição interna de mercúrio em populações ribeirinhas amazônicas), que investiga a relação entre dois elementos químicos na saúde humana: mercúrio e selênio.

Modelos 3D para compreender e combater o câncer

A imagem mostra uma mulher sorrindo enquanto segura um certificado com as duas mãos. Ela usa óculos, crachá de participante e veste uma roupa estampada com um casaco por cima. Ao fundo, há uma área externa com plantas, uma parede de tijolos e parte de um prédio.
Thaís Moré Milan – Foto: Arquivo pessoal

Na pesquisa, Thaís utilizou organoides bioimpressos em 3D, modelos tridimensionais que reproduzem as características genéticas e funcionais de tumores humanos. “Esses organoides são estruturas 3D que mimetizam o microambiente tumoral, permitindo estudar com mais precisão a biologia do câncer e testar terapias de forma mais próxima da realidade clínica”, explica a pesquisadora.

A orientadora do estudo, professora Andréia Machado Leopoldino, ainda explica que “o modelo de organoides derivados de pacientes também está inserido em um projeto em andamento, cujo objetivo é a terapia personalizada ou medicina de precisão que ainda está em fase inicial no país. Esta abordagem do grupo de pesquisa visa a oncologia translacional, aproximando a ciência do paciente na promoção da saúde.”

O estudo foca na interação entre duas moléculas-chave: a proteína P53, supressora tumoral frequentemente mutada nesse tipo de câncer, e a enzima esfingosina-quinase 2, envolvida no metabolismo celular e elevada em tumores de cabeça e pescoço.

“Os resultados indicam que a esfingosina-quinase 2 pode estar relacionada à perda de função da P53, contribuindo para a progressão do câncer. A inibição dessas moléculas pode representar uma nova estratégia terapêutica”, conta Thaís.

A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Oncologia Molecular e Translacional da FCFRP, em colaboração com a professora Alice Sorani, da Universidade da Califórnia (UCLA), onde Thaís realizou parte do doutorado.

Para a orientadora, “esse prêmio representa um reconhecimento pela qualidade e pelo impacto do trabalho. Mostra a relevância da pesquisa que temos desenvolvido aqui na FCFRP, aproximando a ciência básica da aplicação clínica.”

Interações entre mercúrio e selênio em populações amazônicas

Gabriel Neves Cezarette – Foto: Arquivo pessoal

Também premiado, o estudo de Gabriel busca compreender como o selênio, mineral presente na castanha do Brasil e nos peixes, pode bloquear os efeitos tóxicos do mercúrio em comunidades ribeirinhas da Amazônia, onde a exposição ao metal ocorre principalmente pelo consumo de peixes contaminados. Para isso, os pesquisadores analisaram amostras de sangue, plasma e urina de ribeirinhos.

“Nesse estudo, conseguimos estimar a exposição desses indivíduos ao mercúrio e selênio, tendo alguns insights sobre a sua origem, por exemplo, se o mercúrio encontrado no plasma e no sangue está diretamente associado à frequência com que esses indivíduos comem peixe e observar que no selênio isso não acontece, então, provavelmente, o selênio possui também outras fontes relevantes”, diz Cerazette.

A pesquisa traz novas evidências sobre como o selênio pode influenciar a distribuição e o acúmulo do mercúrio no organismo, oferecendo subsídios para políticas públicas de saúde e estratégias de mitigação de riscos ambientais.

“Nós preparamos alguns flyers, algumas palestras em uma linguagem mais acessível para que eles conheçam um pouco mais sobre a problemática do mercúrio, sobre as perspectivas que temos em relação a como diminuir esses efeitos tóxicos”, conta o pesquisador sobre as campanhas de conscientização realizadas a partir do estudo.

Para ele, o destaque no congresso aumenta a repercussão em outras camadas da sociedade, “como o governo ou outras pessoas que ao entender as problemáticas envolvendo a população ribeirinha possam ajudar e finalmente gerar uma intervenção local.”

Reconhecimento internacional e incentivo à inovação

O congresso ocorreu entre os dias 29 e 31 de outubro, em Ribeirão Preto, organizado pela FCFRP com parceria da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF).

O Cifarp acontece a cada dois anos para promover avanços científicos, fomentar pesquisas e inovação, e expandir oportunidades de colaboração entre pesquisadores e cientistas nacionais e internacionais de renome. Em sua 15ª edição, destacou a importância da inovação tecnológica e da colaboração internacional em um contexto de desafios globais à saúde. 

*Estagiária sob supervisão de Rose Talamone

 



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