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Pinturas desafiam a percepção do espectador – Jornal da USP


Gilda Vogt apresenta um conjunto de obras delicado que convida o público a passear por corpos vulneráveis e de contornos fluidos

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O Centro MariAntonia inaugura na próxima terça-feira, dia 25 de novembro, às 18 horas, a exposição Nossa estranheza e a vergonha, da pintora Gilda Vogt, com curadoria de Khadyg Fares, doutoranda em História da Arte na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A visitação acontece de terça a domingo, incluindo feriados, das 10h às 18h, com entrada gratuita.

A mostra reúne um conjunto de pinturas em tinta acrílica sobre tela, abrangendo o período de 1989 a 2024, que reitera em sua linguagem poética a noção de afecção, ou seja, da experiência de ser afetado por algo ou alguém. Também é notório o predomínio do fundo branco da tela, a translucidez da tinta diluída e a fluidez dos contornos. Para Fares, “a imagem não se encerra como forma fechada, mas como matéria em suspensão. Está em processo, em um fluxo contínuo de relação com o fora, o extra imagem e corpos que as percebem”.

Para a artista, o uso da intuição e da imaginação dialoga com questões associadas à antropologia, filosofia e psicologia. Marcada por uma figuração que se mantém em equilíbrio entre a expressividade lírica e uma aspiração realista de representação de seu tempo, a obra de Vogt está vinculada à sua formação, nos anos 1970, no MAM do Rio de Janeiro, com Ivan Serpa e Anna Bella Geiger, e em São Paulo, na Escola Brasil, grupo heterogêneo que estava ligado ao chamado Realismo Mágico de Wesley Duke Lee.

Sobre a artista

Gilda Vogt, no final da década de 1970, consolida as bases de seu trabalho, conquistada nos limites da figuração, sem nunca chegar a desdobramentos sistemáticos na abstração. Em suas pinturas, especialmente, sedimentam-se traços que realizam uma síntese com características orgânicas de recursos da aquarela e do desenho, sublinhando uma postura ética que consagra uma relação rara do artista com o público no contexto da realidade brasileira dos últimos 40 anos. Ao se propor a retratar indivíduos e coletividades, a artista aproxima sua obra tanto da imagética do registro fotográfico, quanto de conquistas formais mais autônomas das artes contemporâneas. Assim, proporciona uma estética de conciliação daquilo que permite uma identificação do espectador com a obra e aspectos eventualmente menos acessíveis a um público em formação. Nesse mesmo sentido, acrescenta-se que não se trata, absolutamente, de uma expressão individualista, mas da conquista paulatina de uma trajetória que nega uma estereotipia daquele que escolheu retratar, renuncia à objetualização do outro em uma dinâmica impermeável circunscrita a um círculo ultraespecializado que se fecha da “arte-pela-arte”, extremos da abstração ou apropriações.

Sobre a curadora

Khadyg Fares é doutoranda em História da Arte pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e graduada em Comunicação Social pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente é curadora da 4ª Frestas – Trienal de Artes do Sesc Sorocaba. Realizou curadoria tanto em espaços institucionais quanto independentes e integrou os núcleos de exposições e programação e de museologia e acervo do Museu da Diversidade Sexual (2023/2024), o núcleo de pesquisa e curadoria da Pinacoteca de São Paulo (2018/2020) e a área de pesquisa do Arquivo Histórico Wanda Svevo da Fundação Bienal de São Paulo (2016/2017). Entre os projetos de exposições foi curadora de Como terminar uma tese: o tempo da cor, individual de Juliana dos Santos, e Todo muro é uma faixa, ambas na Galeria de Artistas – GDA (2024); Xirê das Yabás: a fertilidade do mundo, Museu da Diversidade Sexual (2023/2024); Geoprópolis, individual de João Machado na Villa Mandaçaia e Bananal Arte e Cultura Contemporânea (2023); A barganha, na Coleção Moraes Barbosa (2022), Vivemos pra isso da Chamada VoA 2022-2023 para Artistas Mulheres e Pessoas Não Binárias no Ateliê 397 e Galpão da Galeria Vermelho (2022), VIDEOLATINAS, na Villa Mandaçaia (2022), Lux Espaço de Arte-SP (2021-2022), Plantão (2021) e da Amarraçã, Mostra de Performance e Vídeo do Prêmio Vozes Agudas (2021), ambas no Ateliê 397-SP.  Co-organizou o Tramas do Comum (2021), programa público da 10ª Mostra 3M de Arte – Lugar Comum: travessias e coletividades na cidade, realizada em 2020, exposição em que atuou como assistente curatorial e editorial. Foi coordenadora do Colóquio de Cinema e Arte na América Latina (Cocaal) e integrante do Grupo de Estudos MAAR-Unifesp (Mídias, Afetos, Artes e Resistências) do Brasil na Expo 2020 em Dubai (2021).

 

Serviço

Exposição Nossa estranheza e a vergonha, de Gilda Vogt

Abertura 25 de novembro de 2025 – a partir das 18 horas

Onde: Centro MariAntonia – Edifício Joaquim Nabuco – Rua Maria Antônia, 258 – Vila Buarque – São Paulo, SP (próximo às estações Higienópolis e Santa Cecília do metrô)

Quando: de 25 de novembro de 2025 a 15 de março de 2026

Visitação: terça a domingo, e feriados, das 10h às 18h

Quanto: grátis

Informações: (11) 2648-5202



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