domingo, março 15, 2026
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Aumenta o número de pessoas desaparecidas no Brasil e no mundo – Jornal da USP


Em dezembro de 2024, foram registrados 284 mil casos de desaparecimento, o que representa crescimento de 70% em apenas cinco anos; no Brasil, no mesmo período, o registro foi de 81 mil pessoas desaparecidas

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Na coluna desta semana, o professor Pedro Dallari falou sobre o número de pessoas desaparecidas no mundo com base em informações da Cruz Vermelha e do Ministério da Justiça. O tema foi discutido em uma conferência realizada no Instituto de Relações Internacionais (IRI) no início do mês de novembro, com a participação do chefe da Delegação Regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para o Brasil e os países do Cone Sul, Nicolas Olivier.

“A Cruz Vermelha Internacional é uma das organizações humanitárias mais importantes, senão a mais importante do mundo. E, todo ano, recebemos, em um curso no Instituto de Relações Internacionais, que tem a coordenação do ex-reitor da nossa universidade, professor Jacques Marcovitch, um representante da Cruz Vermelha que vem falar sobre os desafios da Cruz Vermelha e do direito humanitário no mundo contemporâneo. Temos especial contato com a Cruz Vermelha no IRI, porque a Cruz Vermelha é uma das poucas organizações internacionais que recrutam quadros para a organização diretamente no Brasil. A maior parte, mesmo aceitando brasileiros, recruta nos Estados Unidos, na Europa ou no Canadá, ou seja, no Norte Global”, afirma.

Segundo ele, no evento deste ano, a agenda da organização da Cruz Vermelha deu especial atenção a um tema que é pouco visível: o número crescente de pessoas desaparecidas no Brasil e no mundo. “Trata-se de um fenômeno que tem muitas causas, como conflitos armados, perseguição política, rotas migratórias perigosas, mas também causas que estão mais diretamente relacionadas à realidade brasileira, como o desaparecimento por tráfico de pessoas, por crime organizado, mas também por desajustes familiares e problemas de saúde mental”, considera Dallari.

O professor explica que, na semana passada, se realizou, em Genebra, na Suíça, a 4ª Conferência Internacional de Familiares de Pessoas Desaparecidas, entre os dias 11 e 13 de novembro. “A Cruz Vermelha tem um site muito atualizado, embora com dados que ela própria reconhece como subestimados, mas que apontavam que, em dezembro de 2024, foram registrados 284 mil casos de desaparecimento, o que representa crescimento de 70% nesse número no espaço de apenas cinco anos. No Brasil, um  esforço articulado com esse da Cruz Vermelha vem sendo feito pelo Ministério da Justiça, que também tem hoje uma consolidação de dados muito importante, embora também possam ser considerados subestimados, mas que, por exemplo, no ano de 2024, indicaram 81 mil pessoas desaparecidas, com a localização de apenas 55 mil, ou seja, um saldo assombroso de 26 mil casos de desaparecidos no Brasil sem qualquer solução. É um dado bastante alarmante do ponto de vista dos direitos humanos”, considera.


Globalização e Cidadania
A coluna Globalização e Cidadania, com o professor Pedro Dallari, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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