Conferência avança com plano de ação, mas desafios de financiamento e coerência climática permanecem no centro do debate
Por Marcia Avanza

Na coluna desta semana, o professor José Álvaro Moisés comenta a expectativa da última semana da COP30, realizada em Belém, que concentra as decisões mais importantes sobre o futuro climático do planeta, reunindo cerca de 160 ministros de Estado. Apesar do compromisso firmado no Acordo de Paris para limitar o aquecimento global a 1,5°C e financiar ações de enfrentamento da crise climática, muitos países ainda não cumpriram suas promessas. A urgência aumentou diante de desastres recentes relacionados ao clima, reforçando a necessidade de medidas concretas.
O professor comemora o acordo técnico inicial que destravou a agenda da conferência, abrindo caminho para negociações mais efetivas. A presidência da COP propôs o Plano de Ação de Belém, com duração de três anos, voltado para viabilizar a implementação de temas críticos, como financiamento climático, revisão de metas, medidas comerciais e transparência. O documento reafirma a meta de US$ 300 bilhões e enfatiza a responsabilidade dos países historicamente mais poluentes, buscando corrigir desigualdades estruturais no combate ao aquecimento global.
O Brasil tem se destacado ao sediar a conferência e propor um fundo permanente para proteção de florestas tropicais, recebendo apoio internacional. No entanto, o País enfrenta uma contradição: enquanto defende a transição energética e a preservação ambiental, a Petrobras anunciou novas descobertas de petróleo. Essa dualidade levanta dúvidas sobre a coerência das políticas brasileiras e ilustra o conflito global entre desenvolvimento econômico tradicional e a urgência climática.
Qualidade da Democracia
A coluna A Qualidade da Democracia, com o professor José Álvaro Moisés, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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