Avanço tecnológico amplia produtividade e cria oportunidades, mas demanda qualificação e ações do governo para evitar aumento da desigualdade
Na coluna de hoje (19), o professor Luciano Nakabashi elegeu como tema de seu comentário o uso cada vez mais crescente da inteligência artificial – consequentemente da automação – e seus efeitos principalmente sobre a economia. De acordo com ele, o grande diferencial da IA em relação às tecnologias anteriores é a sua capacidade de criar conteúdo, gerar conhecimento e fazer o que, anteriormente, era realizado por meio de pessoas. “É uma revolução bastante grande nas possibilidades, na forma de produção e na forma de relação de uma forma geral das pessoas com o processo produtivo, das pessoas com essas novas tecnologias e do potencial aumento de produtividade.” Para Nakabashi, são mudanças nunca antes presenciadas na história da humanidade. Isso pela forma como causam impacto nos mais diversos setores e atividades produtivas, além também de afetar as mais diversas profissões.
“Uma preocupação que sempre surge com novas tecnologias é com a questão do emprego, de substituir o emprego humano e gerar desemprego na sociedade. Mas, se a gente for olhar toda a história, desde a primeira Revolução Industrial, você teve um aumento de tecnologia e um aumento de produtividade, com máquinas substituindo o trabalho humano, e teve todo um processo das mulheres também entrando no mercado de trabalho nesse período, sem aumentar o desemprego. Aumentou muito a quantidade de pessoas empregadas e produzindo, empresárias, pessoas ocupadas de forma produtiva sem aumentar a taxa de desemprego […] É o que se espera com essa nova tecnologia, com essas novas tecnologias, mas acho que o principal ponto é que pessoas perdem e você pode piorar a distribuição de renda, tornar a sociedade mais desigual. Esse é um dos principais desafios.”
Faz-se necessária, segundo o colunista, a intervenção governamental para que se possa colher os frutos oriundos das novas tecnologias e distribuir entre as pessoas, “e, é claro, estar sempre qualificando as pessoas para que elas tenham oportunidades de ocupar essas possibilidades que vão surgindo […] então, por um lado, de fato, tem que ter um governo ali olhando e capacitando essas pessoas e pensando sempre também na distribuição de renda. São dois pontos bastante importantes”.
Reflexão Econômica
A coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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