A esclerose múltipla (EM), que atinge quase 3 milhões de pessoas no mundo, ainda não tem cura, mas avanços científicos nas últimas décadas trouxeram grande evolução no tratamento

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a esclerose múltipla atinge cerca de 2,8 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a estimativa é de mais de 40 mil casos diagnosticados, de acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem). O medico Guilherme Diogo Silva, neurologista da Divisão de Neurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que a doença se desenvolve ao longo da vida e por falha na imunidade. Ela ocorre quando o sistema imunológico ataca a mielina, uma camada que protege os neurônios, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o corpo.
Os sintomas podem incluir fadiga intensa, alterações visuais, perda de força, dificuldades motoras, formigamento, problemas de equilíbrio e memória. A esclerose múltipla costuma se manifestar em adultos jovens, principalmente entre 20 e 40 anos, e atinge mais mulheres do que homens, na proporção de aproximadamente três casos femininos para cada masculino.
Tratamento deve começar cedo

Estudo recente da revista científica Jama Network Open aponta que a esclerose múltipla pode ser identificada mais de uma década antes do diagnóstico. O neurologista da USP explica a importância dessa descoberta. Quanto mais cedo começar o tratamento, maiores são as chances de manter autonomia e bem-estar. Os atuais tratamentos usados no pós-diagnóstico ainda contribuem, e muito, para prevenir os sintomas.
Embora a esclerose múltipla (EM) não tenha cura, avanços científicos nas últimas décadas trouxeram grande evolução no tratamento. Hoje existem mais de 15 medicamentos modificadores da doença aprovados no Brasil, capazes de reduzir a frequência dos surtos, retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida. No SUS já existe uma série de terapias disponíveis para tratar pacientes em diferentes estágios da EM e em seus subtipos diversos.
Pesquisas recentes também investigam terapias celulares, biomarcadores e estratégias personalizadas de tratamento, apontando para um futuro mais promissor no manejo da doença. Além disso, terapias de reabilitação – como fisioterapia, fonoaudiologia e acompanhamento psicológico – são essenciais para manter a autonomia dos pacientes.
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