Responsáveis por cerca de 4 milhões de mortes prematuras a cada ano, as doenças do aparelho respiratório incluem pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e infecções respiratórias agudas. Pesquisadores criaram simulações de cenários epidemiológicos para demonstrar que a redução dessas doenças pode afetar de maneira distinta a longevidade de homens e mulheres.
Ao analisar a população dos municípios produtores de petróleo da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, o demógrafo Hisrael Passarelli Araujo avaliou o impacto da mortalidade por doenças do aparelho respiratório separado por gênero. O pesquisador notou maior proporção de óbitos femininos dessas enfermidades nos anos estudados, 1998-2002 e 2015-2019. Essa região foi escolhida, pois passou por rápido crescimento impulsionado pela indústria do petróleo e apresenta fortes desigualdades socioeconômicas que tornam essencial compreender como essas condições afetam a saúde e a mortalidade. O ano de 2019 foi adotado como limite final da série analisada para evitar distorções associadas à pandemia de covid-19. O artigo contendo as análises foi publicado na Revista Brasileira de Estudos de População.
O pesquisador utilizou modelos estatísticos que detalham a mortalidade de uma população com base em diferentes causas de morte para simular cenários epidemiológicos. Também foram utilizados dados de mortalidade por causas específicas, desagregados por sexo e grupos quinquenais de idade, além de estimativas populacionais por município, idade e sexo. “Quando analisamos a população masculina e feminina, observamos que as mulheres tendem a ter um maior número de óbitos em idades mais avançadas, pois elas vivem mais. Com o envelhecimento, ficamos mais suscetíveis a algumas doenças, especialmente as relacionadas ao aparelho respiratório”, contextualiza Araujo. De acordo com dados de 2023 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida de mulheres é de 79,7 anos e a de homens é de 73,1 anos no Brasil.



