domingo, março 15, 2026
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Novo estudo redefine o tratamento da estenose de carótida – Jornal da USP


Novas evidências mostram que, mesmo em pacientes assintomáticos, a revascularização pode oferecer benefícios importantes, especialmente com o uso de “stents”

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A estenose carotídea, que é o estreitamento das principais artérias do pescoço que irrigam o cérebro, está fortemente associada ao risco de acidente vascular cerebral isquêmico. Quando essa obstrução é sintomática — ou seja, o paciente já teve um AIT ou AVC —, o benefício da cirurgia de desobstrução é bem estabelecido. No entanto, cerca de 75% dos procedimentos realizados em países como os Estados Unidos ainda são feitos em pacientes assintomáticos, e essa prática sempre gerou controvérsias. Isso ocorre porque o risco de AVC nesses casos é menor e os avanços no tratamento clínico com controle rigoroso da pressão arterial, do colesterol e da adesão ao uso de antiplaquetários levantaram dúvidas sobre a real necessidade de intervenção cirúrgica ou com stent. A pergunta que o estudo Crest-2 procurou responder foi justamente essa: em pacientes assintomáticos, com estenose ≥70%, ainda há benefício em revascularizar?

O estudo Crest-2 é extremamente relevante, porque é o maior ensaio clínico randomizado a avaliar esse tema na era do tratamento clínico moderno. Foram dois estudos paralelos, um comparando o tratamento clínico intensivo com ou sem angioplastia com stent, e outro com ou sem endarterectomia. Nos pacientes submetidos à angioplastia com stent houve uma redução significativa do risco de AVC ou morte perioperatória e de AVC ipsilateral em quatro anos: 2,8% no grupo com stent versus 6,0% no grupo com tratamento clínico isolado — uma diferença estatisticamente significativa, com NNT de 31. Já no grupo da endarterectomia, a diferença foi menor (3,7% vs. 5,3%) e não atingiu significância estatística.

Esses resultados indicam que, mesmo com controle clínico rigoroso, há subgrupos de pacientes com estenose carotídea assintomática que se beneficiam da revascularização, particularmente com stent. Isso reforça a importância de uma avaliação individualizada, considerando fatores como anatomia vascular, risco cirúrgico e expertise do centro. Além disso, os achados devem estimular atualizações em diretrizes internacionais, pois são os dados mais robustos disponíveis até hoje sobre esse tema.


O minuto do Cérebro
A coluna O minuto do Cérebro, com o professor Octávio Pontes Neto, vai ao ar quinzenalmente,  terça-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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