Já no estudo Desvendando as interações entre mercúrio e selênio por meio da metabolômica: impactos em comunidades ribeirinhas na Amazônia, o grupo ampliou a investigação, realizada em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Liderados pela professora Ljubica Tasic, os cientistas aplicaram uma abordagem inédita em metabolômica, estudo de pequenas moléculas em um organismo, célula ou fluido biológico, para investigar o metabolismo dessas mesmas populações amazônicas.
Os resultados mostraram que subgrupos com níveis mais elevados de selênio induziram mudanças marcantes no perfil metabólico de indivíduos altamente expostos ao mercúrio, deixando-o mais semelhante ao de indivíduos que exibiam baixas concentrações de ambos os elementos. Essas evidências reforçam a hipótese do papel protetor do selênio diante da exposição ao mercúrio.
O que surpreendeu os pesquisadores foi o fato de terem encontrado diferentes níveis de mercúrio nos indivíduos estudados, dependendo da frequência de consumo de peixe, sem igual relação com os níveis de selênio, que se mantiveram os mesmos entre os membros das diferentes comunidades, sem nenhuma relação com a dieta.
O grupo destacou ainda a aparente falta de efeito tóxico em valores muito altos de selênio e informou que, apesar de importante para a manutenção da saúde, protegendo o sistema imunológico e atuando contra o estresse oxidativo, o selênio em excesso pode causar selenose, com queda de cabelo, fragilidade e descoloração de unhas, distúrbios gastrointestinais, fadiga e até danos renais e do sistema nervoso; mas, ao contrário, as populações estudadas não apresentaram nenhum desses problemas.



