domingo, março 15, 2026
HomeEducação GlobalMPTCU pede afastamento de presidente do IBGE por risco de interferência nos...

MPTCU pede afastamento de presidente do IBGE por risco de interferência nos dados do PIB


Este conteúdo foi atualizado

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) o afastamento do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann. A representação foi protocolada no dia 19 de fevereiro e, nesta sexta-feira (6), os resultados da auditoria foram enviados ao relator, ministro Aroldo Cedraz.

Como justificativa, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira alega risco de uso político dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) em ano eleitoral, situação que “impõe aos dirigentes de instituições técnicas o dever reforçado de cautela, autocontenção e respeito absoluto à autonomia científica, de modo a prevenir qualquer forma de instrumentalização política das estatísticas oficiais”.

“O descrédito nas estatísticas oficiais — notadamente no cálculo do PIB e nos índices de inflação — possui elevado potencial de causar dano ao erário”, argumenta, apontando ainda que tal decrédito “já deve estar ocorrendo em alguma medida”.

Após 11 anos no cargo, a coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis, foi exonerada, às vésperas da divulgação de dados do PIB. Para o MPTCU, “A produção de estatísticas oficiais — especialmente aquelas relacionadas às Contas Nacionais e ao Produto Interno Bruto — pressupõe estabilidade das equipes técnicas, respeito a padrões metodológicos internacionais e proteção contra interferências de natureza política ou personalista.”

VEJA TAMBÉM:

Denúncia cita crise agravada pela Fundação IBGE+

Pochmann registrou IBGE+ em cartório sem uma lei que autorizasse criação da fundação. Pochmann registrou IBGE+ em cartório sem uma lei que autorizasse criação da fundação. (Foto: Roberta Aline/MDS)

No documento, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira cita diversas reportagens que expõem a crise no órgão. Economista ligado às idelogias de esquerda, Pochmann escolheu a sede do Sindicato Nacional dos Servidores do IBGE (Assibge) para tomar posse, sob a promessa de que seu mandato daria voz aos técnicos. A principal reivindicação, porém, não foi cumprida: os servidores pediram um congresso institucional aos moldes do que ocorre na Fundação Getúlio Vargas (FGV), mas o presidente entregou o que chamou de “Diálogos IBGE”.

Na esteira do projeto, Pochmann alegou que havia, ali, a sugestão dos servidores para a criação da Fundação IBGE+, que captaria recursos da iniciativa privada para novos projetos. O sindicato, no entanto, contesta: a categoria alega que revisou toda a documentação do projeto, e nada foi encontrado sobre a iniciativa. Em meio à crise, o IBGE+ foi extinto por determinação do TCU.

O Ministério Público alega que só é possível criar esse tipo de fundação por meio de lei. Não foi o que ocorreu: Pochmann foi diretamente a um cartório no Rio de Janeiro e abriu o novo órgão.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a presidência do IBGE e o espaço segue aberto para manifestação.

VEJA TAMBÉM:

Sindicato vê gravidade em Fundação IBGE+, mas nega possibilidade de manipulação

A economista Clician Oliveira, representante do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística (ASSIBGE) reafirma que a constituição do IBGE+, sem respaldo legal, é grave. Ela afirma, porém, que os servidores têm a prática de denunciar a qualquer indício de tentativa de manipulação nas estatísticas.

Clician ainda chama atenção para outro ponto da denúncia: o fim de um contrato de parceria entre o IBGE e a Caixa Econômica Federal, sem negociações para renovação, pode paralizar a divulgação dos dados do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi).

Em outubro e novembro de 2025, não houve publicação do relatório completo. Ao ser questionado, o IBGE alegou problemas financeiros e falta de pessoal.

Atualização

Acrescentamos o posicionamento do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística (ASSIBGE) 

Atualizado em 10/03/2026 às 21:22



Fonte

Mais populares

- Anúncio-
Google search engine