domingo, março 15, 2026
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Temer descarta concorrer à presidência e diz que Lula deveria fazer o mesmo


O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que não pretende disputar novamente a presidência da República e sugeriu que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também deveria abrir mão da reeleição e dar espaço para novas lideranças. Aos 85 anos, Temer declarou que o país precisa de uma nova geração na política para superar o clima de tensão institucional que domina o cenário nacional.

O nome de Temer voltou à cena recentemente após o ex-ministro Carlos Marum, um de seus principais aliados, dizer que iria procurá-lo para tentar convencê-lo a disputar as eleições de outubro para quebrar a polarização entre simpatizantes de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“De jeito nenhum. Se tivesse dez anos a menos eu até aceitaria o desafio”, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo neste final de semana.

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Na mesma entrevista, Temer criticou a atual situação política do país, afirmando haver uma “completa disfuncionalidade institucional”, que, segundo ele, decorre do afastamento dos Três Poderes em relação aos princípios estabelecidos pela Constituição. Para o ex-presidente, o ambiente político atual é marcado por confrontos permanentes e por uma incapacidade de diálogo entre as instituições.

O ex-chefe do Executivo citou que o próprio preâmbulo da Constituição estabelece o compromisso com “a solução pacífica das controvérsias”, algo que, na sua visão, deixou de orientar a prática política no país. Segundo ele, a lógica predominante passou a ser a do conflito constante, no qual divergências são tratadas com hostilidade e agressividade.

“A oposição é essencial, mas o ódio pessoal é, além de dispensável, nocivo porque impede a construção de consensos em meio ao dissenso, que é o cerne da política, condutora dos atos e, sobretudo, dos avanços no estado de direito”, pontuou.

Temer afirma que o discurso público frequentemente fala em pacificação, mas que as atitudes demonstram o oposto, alimentando a divisão política. Para ele, o Brasil só conseguirá sair desse cenário se tiver na presidência alguém com capacidade real de reunir forças divergentes em torno de um projeto comum.

O ex-presidente também afirmou que sua crítica não significa apoio automático a adversários do governo, mencionando que setores da oposição adotam uma estratégia baseada no confronto permanente. Para ele, essa postura igualmente contribui para o ambiente de paralisia política que, segundo diz, prejudica o funcionamento das instituições.

Ao falar sobre possíveis caminhos para superar o impasse político, Temer voltou a citar a própria Constituição como referência para reorganizar o funcionamento institucional. Ele mencionou especificamente o artigo 1º, que estabelece a autonomia e a harmonia entre os Poderes, e o artigo 37, que determina que agentes públicos sigam princípios como legalidade, impessoalidade, moralidade, transparência e eficiência.

“Aí temos uma receita simples e infalível”, concluiu o ex-presidente, ao defender que o país volte a se orientar pelos princípios constitucionais para reduzir tensões políticas e recuperar a estabilidade institucional.



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