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o que mudou para Flávio Bolsonaro


Um dos momentos mais marcantes das eleições de 2016 foi o quase desmaio de Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate promovido pela Band com os candidatos a prefeito do Rio de Janeiro. Ao receber uma pergunta do mediador, ele ficou em silêncio. E quando estava prestes a cair, foi amparado pelos oponentes Jandira Feghali (PCdoB) e Carlos Osório (PSDB na época). O debate foi interrompido para atendimento médico e Flávio não conseguiu seguir no encontro.

A imagem, que circulou nas redes sociais na época, voltou a ser compartilhada por setores da esquerda após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmar a pré-candidatura à Presidência da República no fim do ano passado, sugerindo que ele “amarelou” e que não aguentaria enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos debates deste ano.

Em entrevista ao jornalista Leo Dias, em dezembro do ano passado, Flávio relembrou o episódio e disse que é normal que as pessoas falem sobre aquele debate e façam “zoação” com ele. “Só vou conseguir rebater indo bem nos debates”, falou. E cravou: “Vou atropelar no debate.”

Imagem de Flávio Bolsonaro quase desmaiando durante debate da Band em 2016Flávio Bolsonaro foi amparado por Carlos Osório e Jandira Feghali, em debate de 2016. (Foto: Reprodução/Band)

Apesar de grande repercussão na época, inclusive com trocas de acusações entre Feghali e Jair Bolsonaro, o episódio não foi considerado determinante para o resultado das urnas. Flávio Bolsonaro foi o quarto mais votado no primeiro turno, com 14% dos votos válidos — Marcelo Crivella (Republicanos, na época no PRB) venceu o pleito no segundo turno contra Marcelo Freixo (PT, na época no PSOL).

A prefeitura do Rio de Janeiro foi a primeira e única derrota de Flávio nas urnas. Ele foi eleito deputado estadual por quatro mandatos consecutivos, sendo a primeira eleição em 2002, quando tinha 21 anos. Em 2018 foi eleito senador no mesmo pleito em que o pai venceu a corrida ao Palácio do Planalto.

A derrota no Rio, porém, não foi avaliada como ruim pela família Bolsonaro e pela equipe do então deputado estadual. “Nós tivemos o quarto lugar sem fazer aliança com ninguém. Fomos sozinhos e tivemos um bom resultado”, falou Jair Bolsonaro após a apuração do primeiro turno. “O resultado deste domingo mostra que Flávio, e consequentemente a família, ganharam novos eleitores nesta campanha”, reforçou o marqueteiro da campanha, Alexandre Borges.

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Candidatura de Flávio Bolsonaro no Rio foi um teste para a família

Em 2016, a família Bolsonaro não tinha a mesma projeção de hoje. Ainda no baixo clero da Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro se tornava, aos poucos, a principal voz de oposição à esquerda e se colocava antecipadamente como pré-candidato à Presidência da República para suceder Michel Temer (MDB), que assumiu o cargo após o impeachment de Dilma Rousseff (PT) naquele ano.

Da mesma forma, Flávio não tinha o mesmo tamanho de agora. Apesar dos quatro mandatos de deputado estadual que carregava, não havia pisado em Brasília, como o pai ou o irmão Eduardo Bolsonaro, eleito deputado federal por São Paulo em 2014. Por isso, a candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro não foi unanimidade na família.

A ideia principal de Flávio não era, necessariamente, vencer a eleição, mas colocar o sobrenome da família em um pleito majoritário pela primeira vez e tirar subsídios para a campanha que mudaria o patamar dos Bolsonaros, em 2018.

Segundo Flávio, o patriarca acabou sendo vencido nessa frente. “No início ele [Jair] estava meio contra, mas depois ele viu a importância de a gente testar o nome já em 2016. A marca Bolsonaro tem muita coisa que leva o eleitor a votar na gente”, afirmou na época.

A derrota pouco importou. A projeção do sobrenome da família foi o que ficou. Não por acaso, o que ocorreu dois anos depois foi o tira-teima: Jair Bolsonaro foi eleito presidente, Flávio Bolsonaro foi eleito senador com o maior número de votos no Rio de Janeiro (4.380.418 votos) e Eduardo Bolsonaro foi o deputado federal mais votado do Brasil (1.843.735 votos).

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Considerado mais moderado, Flávio foi chancelado pelo pai para as eleições 2026

Quase oito anos depois daquela vitória tripla, muita coisa mudou. Jair Bolsonaro perdeu a reeleição para Lula (PT) em 2022 e agora está preso após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses pelos crimes de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado com violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado — ele cumpre a pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. 

Já Eduardo Bolsonaro foi cassado e perdeu o mandato de deputado federal após uma decisão da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados por causa de uma série de faltas — ele se mudou em março de 2025 para os Estados Unidos alegando perseguição política.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, manteve-se praticamente da mesma forma como começou o mandato de senador: mais discreto e com um discurso mais moderado em relação ao do pai e dos irmãos. Ele mesmo reconheceu esse traço pessoal.

“Sempre pediram um Bolsonaro mais moderado e eu sempre fui assim, eu sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado, centrado, e eu espero que isso reflita inclusive na confiança da população que nós vamos apresentar o melhor projeto para o Brasil”, afirmou, então já como pré-candidato à Presidência da República.

Em uma jogada inesperada no jogo político nacional, ele foi escolhido por Jair Bolsonaro no início de dezembro do ano passado para tentar vencer Lula nas eleições de 2026, apesar de setores da direita e do mercado financeiro terem demonstrado predileção a uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e até mesmo do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD).

Ao contrário daquela eleição de 2016 no Rio de Janeiro, dessa vez teve não só o aval do pai, como também foi indicado nominalmente. “Diante desse cenário de injustiça [por causa da prisão e da inelegibilidade], e com o compromisso de não permitir que a vontade popular seja silenciada, tomo a decisão de indicar Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República em 2026”, escreveu Jair Bolsonaro em uma carta no fim do ano passado.

Pré-candidatura de Flávio Bolsonaro foi avalizada rapidamente pelo eleitor de direita

Apesar da surpresa, boa parte da direita encampou rapidamente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Flávio é o “herdeiro político” do ex-presidente e que “se tivesse que escolher um nome, não tenha dúvida, seria o senador Flávio.”

Outros nomes relevantes da direita brasileira, como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Rogério Marinho (PL-RN), Bia Kicis (PL-DF) e Gustavo Gayer (PL-GO), também demonstraram apoio à escolha de Flávio como pré-candidato à Presidência da República. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi na mesma linha: “Que Deus te abençoe, Flávio Bolsonaro, nesta nova missão pelo Brasil.”

O eleitorado brasileiro também respondeu de forma rápida ao movimento de Jair e Flávio Bolsonaro, destacando o filho 01 como o principal nome da direita na disputa neste ano.

O Datafolha, por exemplo, dava uma vantagem de 15 pontos percentuais de Lula para Flávio na simulação de segundo turno em dezembro de 2025 (51% contra 36%). Três meses depois, em março, a diferença caiu para 3 pontos percentuais, o que configura um empate técnico — a margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Metodologia das pesquisas citadas

  • Datafolha 7/3/2026: Pesquisa Datafolha realizada presencialmente com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil entre os dias 3 e 5 de março de 2026. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-03715/2026.
  • Datafolha 6/12/2025: 2.002 eleitores ouvidos pelo Datafolha entre 2 e 4 de dezembro de 2025 em 113 municípios do Brasil. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais.



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