Reitores e ex-reitores presentes no seminário convergem nos argumentos seguintes:
1) A liberdade de pensar tem sido garantida com a autonomia, permitindo que cada universidade determine o que e como ensinar e pesquisar.
2) A autonomia da universidade não é só da universidade, mas da sociedade como um todo, que se beneficia de várias formas com o que a universidade produz em termos de formação de estudantes, pesquisa e extensão.
3) Quanto maior o grau de autonomia, maior é a responsabilidade, já que a universidade precisa se autogerir dos pontos de vista acadêmico, administrativo e financeiro, num sistema de gestão compartilhada que considera a opinião de docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes.
4) A gestão autônoma é cobrada pela sociedade ampla de diversas formas – tanto diretamente, pelos cidadãos, como pelas instituições públicas e privadas, imprensa e instâncias políticas.
5) A autonomia é parcial em vários aspectos, já que as universidades devem submeter as suas normas à legislação vigente. Elas só podem aplicar os recursos financeiros conforme as normativas que regem as compras públicas no País. Elas não têm liberdade para a contratação de profissionais, sendo obrigadas a seguir estritamente as regras aplicáveis ao serviço público em geral. Suas contas são permanentemente auditadas pelos órgãos de controle, e sua autuação é observada pelo Ministério Público […].
6) Examinando, como exemplo, os resultados atingidos pelas universidades estaduais paulistas, fica claro que, mesmo com as limitantes expostas, a autonomia não é um privilégio, mas sim uma necessidade.
[…] O segundo seminário do Ciclo Nacional chega às seguintes conclusões gerais:
a) Há uma relação favorável entre a autonomia universitária e o desenvolvimento socioeconômico.
b) A sociedade contemporânea encontra-se numa encruzilhada complexa, cujas soluções e caminhos precisam ser pensados pelas universidades.
c) As universidades precisam usar a autonomia de que gozam para, cada vez mais, produzir soluções que garantam o bem-estar da população, intensificando assim a contribuição para a sociedade da qual fazem parte.
d) O Brasil precisa manter e ampliar a autonomia de suas universidades, a fim de propiciar um futuro melhor paras as gerações vindouras.
e ) O nível de autonomia não deve ser inferior a 80% (autonomia abrangente), como evidenciado pelos bons resultados das universidades que estão nesse nível. Para o funcionamento ideal das universidades brasileiras a sociedade deve almejar que todas avancem em direção à autonomia plena.



