domingo, março 15, 2026
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Taxação de Trump extrapola dimensões diplomática e econômica – Jornal da USP


José Álvaro Moisés considera que o centro das ações do presidente está voltado para a desclassificação do regime democrático no enfrentamento de disputas econômicas e políticas

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Na coluna desta semana, o professor José Álvaro Moisés comenta a decisão do presidente norte-americano Donald Trump de punir o Brasil por decisões do Supremo Tribunal Federal quanto à tentativa de golpe de Estado, liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo controle de empresas de redes sociais que publicam fake news e pelo suposto superávit brasileiro quanto as exportações econômicas para aquele país. O professor afirma que “essa decisão tem várias implicações para a qualidade da democracia e extrapola as dimensões diplomática e econômica. Trump continuou usando o movimento tático de chantagear os outros países – inclusive aqueles que são aliados históricos dos Estados Unidos -, para forçá-los a fazer o que ele quer. Não apenas no que se refere a impedir as tentativas de imigrantes desinformados da atual realidade daquele país que querem ir viver lá ou do protagonismo comercial de competidores como a China e agora até mesmo do Brics”, argumenta.

Moisés chama de autocracia esse modelo de gestão que quer “forçar o resto do mundo, especialmente os países democráticos, a abandonarem os princípios fundamentais desse regime e, em consequência, as regras de procedimento da democracia no plano interno ou nas relações internacionais. É evidente que a tática da chantagem pode produzir resultados com todo o seu caráter agressivo e desumano, porque os Estados Unidos ainda são uma das mais fortes economias do mundo e um dos países militarmente mais poderosos do planeta. Mesmo quando elege presidentes mais moderados, os Estados Unidos mantêm a décadas, a iniciativa de invadir, bombardear ou ameaçar possíveis adversários”, lembra.

Para o professor, durante décadas, em que pesem as iniciativas da ONU e o esforço dos países que defendem o multilateralismo, os Estados Unidos tomaram iniciativas de guerra e forçaram seus aliados a invadirem o que pareciam ser seus adversários. “O que aconteceu no caso do Iraque, das supostas armas químicas que o governo do país teria, é um dos mais simbólicos exemplos disso. Mas agora, para além disso tudo, o centro das ações de Trump está voltado para a desclassificação do regime democrático como a melhor alternativa para o enfrentamento pacífico dos conflitos e disputas econômicas e políticas. Trump despreza e descarta as ações da ONU ou de países democráticos como a França, a Alemanha e outros para resolver pacificamente as crises internacionais. Inclusive, as ações incontroláveis e de total desrespeito aos acordos e consensos internacionais, como no caso do genocídio dos palestinos praticado por Israel ou dos crimes de guerra praticados por Putin, no caso da invasão da Ucrânia.”

Para Álvaro Moisés, Trump se voltou contra a tradição do seu próprio país que desde o século 18 tenta cumprir promessas da democracia. “A questão agora está em saber se os cidadãos norte-americanos aceitarão isso sem contestação.”


Qualidade da Democracia
A coluna A Qualidade da Democracia, com o professor José Álvaro Moisés, vai ao ar quinzenalmente,  quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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