A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regula o teor de iodo no sal de cozinha para consumo humano, estabelece que o produto deve conter entre 15 e 45 microgramas (mg) de iodo por quilo, entretanto, a recomendação é que gestantes consumam cerca de 200 mg a 250 mg de iodo diariamente. Assim, durante a gravidez, a necessidade aumenta em até 50%.
O aumento da ingestão de iodo na gestação se justifica uma vez que a insuficiência do mineral intensifica o risco de aborto, parto prematuro, restrição do crescimento intrauterino, hipotireoidismo materno e fetal, e atraso no desenvolvimento neurológico do bebê. Da mesma forma, continua a pesquisadora, “o excesso de iodo também está associado ao maior risco de parto prematuro, aborto e alterações na função da tireoide materna e do bebê”.
Pela importância do mineral para a saúde humana, no Brasil, desde a década de 1950, uma política pública determina a adição de iodo ao sal de cozinha. Existe ainda o Programa Nacional para a Prevenção e Controle dos Distúrbios por Deficiência de Iodo (DDI) – Pró-Iodo, reformulado pela Portaria GM/MS nº 2.362/2005, que pretende eliminar os DDI. A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Saúde em colaboração com diversos órgãos e entidades, incluindo a Anvisa.
No entanto, a pesquisa da FMRP mostrou que, mesmo com as políticas públicas, muitas gestantes não apresentam a quantidade ideal do mineral em seus organismos. Entre as causas para o problema, Ana informa que identificaram o consumo de álcool na gestação, o uso de temperos industrializados como fonte alternativa ao sal de cozinha e a forma inadequada de armazenamento do sal como “fatores de risco para a concentração insuficiente de iodo urinário” – análise laboratorial que mede a quantidade de iodo excretada na urina.
A pesquisadora informa que aqueles que consomem álcool têm 6,59 vezes mais chances de desenvolver insuficiência de iodo em comparação com quem não consome, valor considerado significativo. Já o baixo consumo de sal iodado (20,3%) contra o alto consumo de temperos industrializados (74,3%), seja em adição ou substituição ao sal de cozinha, também explicam as baixas concentrações de iodo entre as gestantes.



