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Memórias da ditadura em debate na Casa de Dona Yayá – Jornal da USP


Uma mesa-redonda reúne a autora de um livro sobre os centros de detenção da ditadura brasileira e duas debatedoras

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O Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP / Casa de Dona Yayá recebe nesta quarta-feira (dia 30) o lançamento do livro Mapeando o terror: a arqueologia dos centros de detenção da ditadura brasileira,  publicado pela Editora Dialética. A autoria é da pesquisadora Caroline Murta Lemos, que apresenta um levantamento dos 267 centros de detenção ditatoriais espalhados pelo País e faz uma análise preliminar do estado de preservação desses locais e de seus potenciais para pesquisa arqueológica, etapa essencial para a memorialização desses espaços.

O livro faz um importante levantamento sobre a memória da ditadura civil-militar que vigorou no Brasil entre as décadas de 1960 e 1980, marcada pela ocorrência de milhares de casos de violação aos direitos humanos e pela violência institucionalizada e sistemática nos esforços para silenciar e oprimir qualquer tipo de descontentamento e oposição ao governo. O sofisticado aparato repressivo era formado por grupos paramilitares, serviços de inteligência e centros de detenção oficiais e clandestinos espalhados pelo País, como o Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops), que hoje se mostram locais de memória de grande importância para a pesquisa sobre esse grave período da história brasileira.

Arqueóloga, Caroline Murta Lemos é doutora pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem vasta atuação no tema. Em 2022 concluiu pós-doutorado na UFMG que versava sobre arqueologia e os centros de detenção ditatoriais brasileiros e é membro do Grupo de Pesquisa do CNPq Arqueologia da Repressão e da Resistência. Integra a equipe de Arqueologia do Grupo de Trabalho Interinstitucional GT DOI-Codi, em São Paulo, contribuindo com a elaboração do projeto de pesquisa arqueológica e participando das ações de Arqueologia Pública e da Coleta de Testemunhos de ex-presos políticos. Também integrou a equipe de escavação do Departamento de Ordem Política e Social de Minas Gerais (Dops/MG).

Além da apresentação do livro, haverá uma mesa-redonda com a participação da autora e as convidadas Deborah Neves, da Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico (UPPH) da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo/Condephaat e de Alize Feitoza de Oliveira, do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Unifesp.

As graves violações aos direitos humanos praticadas nesse período atingiram fortemente as universidades. A Comissão da Verdade da Universidade de São Paulo, criada em 2013,  produziu um extenso relatório com a finalidade de examinar e esclarecer atos de repressão praticados contra docentes, alunos e funcionários. A professora Flávia Brito do Nascimento, diretora do CPC, afirma que a relação das universidades com a ditadura militar nas suas complexas relações de memória e resistência também são temas de interesse. “A política universitária e a formação estudantil passam diretamente pelas experiências da USP durante o período ditatorial, que deixou muitas marcas na instituição. Acolher este tema é parte dos esforços que a gestão do CPC-USP vem fazendo para discutir a memória, a reparação e os direitos humanos”, afirma.

O CPC-USP vem acolhendo e promovendo debates e encontros sobre o tema, bem como publicação de artigos e relatos na Revista CPC.

Serviço

Lançamento do livro Mapeando o terror: a arqueologia dos centros de detenção da ditadura brasileira
Quando: 30/07/2025 (quarta-feira), às 17h

Onde: CPC-USP/Casa de Dona Yayá

Endereço: Rua Major Diogo, 353 – Bela Vista – São Paulo/SP
Quanto: entrada gratuita, sem necessidade de inscrição prévia

Os interessados poderão solicitar atestado de participação



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