quarta-feira, maio 13, 2026
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Cientistas brasileiros escavam cavernas na Romênia em busca de neandertais – Jornal da USP


Outra frente de pesquisa associada ao projeto é uma reanálise da morfologia de crânios de hominínios encontrados no Leste Europeu nas últimas décadas, incluindo três crânios de Homo sapiens já escavados na Romênia (em outras cavernas, fora do Vale do Vârghiş). As características neandertais desses crânios são todas muito sutis, ressaltou Neves. “Além da busca por novos materiais, vamos fazer uma análise dos crânios já encontrados para ter uma ideia mais clara da variabilidade morfológica de neandertais e sapiens no leste da Europa”, disse o pesquisador. Antes de seguirem para a Romênia, Neves e o pesquisador Clóvis Monteiro fizeram uma parada em Viena, na Áustria, para medir um crânio oriundo das cavernas de Mladeč, na República Checa. “Quero saber até que ponto essa troca de genes afetou a morfologia craniana (dos seres humanos modernos)”, justificou Neves. Ele planeja medir ainda outros crânios da região, em 2026.

Os resultados dessa expedição atual, segundo Neves, serão decisivos para determinar se o projeto será encerrado ou servirá como semente de uma missão arqueológica de longo prazo na Romênia. Um dos arqueólogos e bioantropólogos mais renomados da ciência brasileira, Neves se aposentou oficialmente como docente do Instituto de Biociências (IB) da USP em 2017, aos 60 anos de idade; mas seguiu ativo no Instituto de Estudos Avançados da Universidade. Famoso por seus estudos relacionados ao povo de Luzia e ao povoamento das Américas, ele agora está focado na pesquisa de capítulos bem mais antigos da evolução humana, que só podem ser estudados fora do Brasil, por meio de colaborações internacionais.

“Não sei quanto tempo mais eu terei condições físicas de participar de pesquisas de campo como essa”, disse Neves, prestes a completar 68 anos e com algumas dificuldades de locomoção. “Mas ficarei satisfeito em saber que inseri o Brasil no jet set internacional da paleoantropologia.”

As escavações na Romênia vão até o dia 9 de agosto. O Jornal da USP vai acompanhar os últimos dias de trabalho in loco na Garganta do Vârghiş, com apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão (PRCEU) da USP.

*Estagiária sob orientação de Moisés Dorado



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