Alcides Eduardo dos Reis Peron alerta para o fato de que as forças de segurança não possam abusar desse tipo de tecnologia

A Polícia Militar de São Paulo está utilizando uma nova ferramenta do Google Localizador que permite bloquear remotamente celulares Android roubados ou furtados em todo o Estado. O sistema está apto para cerca de 80% dos celulares registrados no Estado de São Paulo, com o objetivo de agilizar a resposta após o crime, impedindo não apenas a perda do aparelho, mas também o acesso a dados bancários e pessoais pelos criminosos.
De acordo com o professor Alcides Eduardo dos Reis Peron, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, o roubo de celulares tem se tornado um problema crescente, com 24 mil casos registrados apenas no ano passado em todo o Estado. “Não se trata apenas da perda do aparelho. Nos últimos anos, os celulares se tornaram verdadeiras carteiras digitais, com acesso a contas bancárias e aplicativos de pagamento. O tempo é crucial para evitar prejuízos maiores”, explica.
Três mecanismos principais
O sistema opera através de três mecanismos principais: detecção automática por inteligência artificial, que identifica movimentos suspeitos de roubo; bloqueio automático após longos períodos offline sem justificativa; e bloqueio remoto pela polícia mediante número do telefone e código IMEI. Para usufruir da proteção, usuários de Android devem ativar o recurso nas configurações de segurança do Google Localizador – dispositivos lançados nos últimos meses já têm a função ativada automaticamente.
“O número IMEI é importante”, explica Peron. “Com esse número IMEI, geralmente é feito bloqueio e anulação do celular onde quer que esteja.” O pesquisador destaca que “existe hoje todo um estudo que mostra que muitos desses celulares roubados são revendidos depois para outros países, inclusive no continente africano e em outras localidades.”
Sobre as limitações, Peron é enfático: “Ela não funciona para iPhones e depende da ativação prévia pelo usuário”. E adverte: “Precisamos garantir que o bloqueio não aconteça numa situação mais abusiva também, para que forças de segurança também não possam abusar do uso desse tipo de expediente.”
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