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90 anos do Sistema de Bibliotecas Públicas de São Paulo – Jornal da USP


É momento de celebrar. E celebrar como as bibliotecas públicas desempenham seu papel na sociedade. Nos dias 9 e 10 de junho de 2025, o Conselho Regional de Biblioteconomia da 8ª Região e o Conselho Federal de Biblioteconomia organizaram a comemoração dos 90 anos do Sistema de Bibliotecas Públicas da Prefeitura de São Paulo. E alguns pontos dessa história precisam ser destacados.

O projeto de criação do Sistema de Bibliotecas surge em 1930, quando São Paulo, dentro de um projeto político próprio, se colocava em confronto com as ideologias do governo federal, então sob a ascensão de Getúlio Vargas. Esse movimento se dá por meio do governo estadual de Armando de Salles Oliveira e pelas transformações promovidas na prefeitura pelo então prefeito Fábio Prado.

Nessa conjuntura, figuras como Paulo Duarte, Mário de Andrade e Rubens Borba de Moraes são convocadas para compor uma gestão orientada por princípios modernizadores e uma visão cultural estratégica para a cidade e o Estado.

É nesse contexto que nasce a Divisão de Bibliotecas, como parte de um projeto de política cultural até então inédito no País. Essa política se consolidava por meio das bibliotecas públicas, criadas com diferentes segmentos de atuação: a biblioteca central, as bibliotecas infantis, as bibliotecas circulantes e as bibliotecas populares. Cada uma delas desempenhava um papel específico dentro de um projeto mais amplo de democratização da informação e da cultura.

Ao longo desses 90 anos, o sistema passou por inúmeras transformações, adaptações e gestões. E, ainda assim, manteve-se como um ideal que orgulha não só São Paulo, mas o Brasil como um todo.

Precisamos reconhecer o papel estratégico que as bibliotecas públicas desempenham dentro dessa política cultural implementada por pessoas comprometidas com o desenvolvimento social.

As bibliotecas públicas têm uma função transformadora. Elas atuam diretamente na transformação social, e os responsáveis pela criação da Divisão de Bibliotecas da Prefeitura de São Paulo sabiam disso. Esse grupo de intelectuais, gestores e profissionais tinha plena consciência da importância das bibliotecas na estrutura da cidade, do Estado e no projeto de país que se pretendia construir. As bibliotecas públicas foram pensadas como instituições comprometidas com a formação do cidadão, com o acesso ao conhecimento e com o fortalecimento da identidade nacional.

Com o tempo, a Divisão de Bibliotecas se transformou num sistema estruturado, robusto, capaz de dialogar com seu público, de modernizar seus acervos e de adaptar suas práticas às novas realidades sociais. Um sistema que se reinventa constantemente, acompanhando as mudanças do tempo e da sociedade. As bibliotecas públicas foram e continuam sendo peças fundamentais na construção de um projeto de nação, e é nesse sentido que sua existência permanece essencial.

Ao olharmos para essa trajetória de 90 anos, é inevitável lembrar de figuras como Mário de Andrade e Rubens Borba de Moraes. Eles estariam orgulhosos do trabalho realizado por gerações de bibliotecários e profissionais dos estudos da informação, que mantêm essa instituição viva na vida da população brasileira.

O que nos cabe agora é olhar para o futuro. Enxergar as novas demandas, os impactos tecnológicos, os novos comportamentos sociais e continuar fazendo das bibliotecas instituições relevantes.

Não podemos esquecer, também, do projeto que, no início dos anos 2000, valorizou as bibliotecas como instituições culturais essenciais, sob a gestão do então secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil. Foi um momento importante de resgate e afirmação da identidade das bibliotecas públicas paulistanas. Um projeto bem-sucedido, que articulou passado, presente e futuro desses espaços, na valorização de seus acervos, dando uma identidade concreta às bibliotecas públicas.

Que possamos, daqui a dez anos, celebrar o centenário do Sistema de Bibliotecas Públicas da Prefeitura de São Paulo com a consciência de que muito foi feito e de que ainda há muito a ser realizado para manter essa instituição presente, atuante e transformadora. Porque é exatamente nesse propósito que ela cumpre seu papel: na transformação social do nosso País.

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(As opiniões expressas nos artigos publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem posições institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetros editoriais para artigos de opinião.)



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