O conceito de “besta”, resgatado de tradições filosóficas e literárias, mostrou-se um elemento estruturante na diferenciação simbólica entre humanos e não humanos, sustentando a exclusão animal em nome da civilização e da razão.
“A ruptura entre natureza e cultura se consolida no processo de modernização das cidades, especialmente quando há uma necessidade de controle maior. Nesse contexto, a imagem do animal como besta se fortalece, principalmente devido à associação com perigo e doenças”, detalha pesquisadora ao Jornal da USP.
Os ratos, por exemplo, associados à peste bubônica, tornaram-se símbolo duradouro de contaminação. Consolidou-se a ideia de que esses animais representam ameaça à saúde pública. Para ela, essa estigmatização revela não apenas uma resposta sanitária, mas uma construção simbólica que legitima a marginalização dos não-humanos no projeto urbano. Assim, conforme sua defesa, integrar os animais à história urbana é uma necessidade urgente diante das crises socioambientais e sanitárias, o que implica repensar o espaço urbano, suas normas e hierarquias.



