O historiador israelense Ilan Pappé e outros oito intelectuais estiveram reunidos na Faculdade de Direito (FD) da USP para discutir os motivos de chamarem as ações de Israel de genocídio e que papel podem ter os estudantes na pressão pelo fim da guerra em Gaza. Intitulada Da Limpeza Étnica ao Genocídio na Palestina, a palestra proferida por Pappé teve lugar na Sala dos Estudantes da FD, que ficou lotada na manhã de quarta-feira, 6 de agosto.
“Me dá esperança e encorajamento que na USP nós possamos usar as palavras corretas quando falamos da Palestina”, disse Ilan Pappé, que também definiu o evento como raro. Segundo o historiador, que é professor da Universidade de Exeter, na Inglaterra, algumas universidades proíbem ou restringem que se chame os atos de Israel de apartheid, genocídio ou limpeza étnica. Ele afirmou que isso ocorre principalmente no Norte Global.
O evento na FD foi organizado pelo Centro de Estudos Palestinos (CEPal) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o Centro Acadêmico XI de Agosto da FD, a Editora Elefante, a Frente Palestina São Paulo, a Federação Árabe Palestina (Fepal) e o Fórum Permanente sobre Genocídios e Crimes contra a Humanidade (FPGCH) da USP.
Quem mediou a conversa foi Paulo Casella, professor de Direito Internacional Público na FD e membro do FPGCH. Segundo o docente, os atos em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém são “parte de uma campanha para expulsar todos os não judeus da Terra Santa”. Para Casalla, não se deve confundir a defesa dos palestinos com antissemitismo.
Paulo Sérgio Pinheiro, professor aposentado do Departamento de Ciência Política da FFLCH e ex-ministro da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, afirmou que, “sob o pretexto de uma guerra contra o Hamas, Israel promoveu uma sistemática destruição social, política e cultural na faixa de Gaza”. Os palestrantes concordam que as ações de Israel que matam civis são coordenadas e propositais, mas que narrativas falsas são usadas para legitimar os ataques.
Os participantes opinaram que aqueles que se calam diante da situação da população palestina são cúmplices de uma desumanização, e que os estudantes devem se posicionar. Júlia Wong, presidenta do Centro Acadêmico XI de Agosto, relembra que, “ao longo da história, a juventude não foi apenas testemunha dos grandes conflitos. Ela foi, em todas as vezes, motor de resistência e virada de consciência histórica”. Mas os estudiosos se perguntam se a conscientização é suficiente para o fim da guerra.