Ciclo de vida útil dos equipamentos de energia renovável é, no máximo, de 30 anos. Reúso desses materiais é o grande desafio do futuro


A ascensão das energias solar fotovoltaica e eólica é um dos pilares da nossa transição para um futuro energético mais limpo e sustentável. Mas à medida que essas instalações amadurecem e se aproximam do final de sua vida útil operacional surge uma questão fundamental: o que fazer com as toneladas de painéis solares e pás eólicas que serão descomissionadas nas próximas décadas. No episódio de hoje da Série Energia, o professor Fernando de Lima Caneppele, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP em Pirassununga (SP), investiga os desafios do descomissionamento e da reciclagem desses componentes cruciais e como o Brasil precisa se preparar para garantir que a sustentabilidade das renováveis contemple seu ciclo de vida completo.

Segundo o professor, o volume de equipamentos de energia renovável chega ao fim de sua vida útil por volta dos 20 a 30 anos de uso, portanto, começará a crescer exponencialmente em um futuro próximo. Estimativas globais da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) e de outras instituições projetam que, até 2050, poderemos ter dezenas de milhões de toneladas de painéis solares e pás eólicas para gerenciar.
No caso dos painéis solares fotovoltaicos, o professor garante que uma grande parte de seus componentes, como vidro, alumínio, e semicondutores, como o silício, além de pequenas quantidades de prata e cobre, é reciclável. Mas há desafios como os que residem na logística reversa para a coleta dos painéis descartados. Por outro lado, a destinação das pás de turbinas eólicas é ainda mais complexa porque são fabricadas com materiais compósitos, como fibra de vidro ou de carbono, impregnadas com resinas poliméricas, projetadas para serem extremamente duráveis e leves. Essa robustez, segundo Caneppele, dificulta enormemente sua reciclagem.
Concluir o ciclo das energias renováveis de forma verdadeiramente sustentável exige, além da geração de energia limpa, incorporar a gestão responsável dos resíduos ao final da vida útil dos equipamentos. “Isso não é apenas um desafio ambiental, mas também uma oportunidade para o Brasil desenvolver novas indústrias, gerar empregos na cadeia da reciclagem e da economia circular, e promover a inovação tecnológica”, conclui o especialista.
A Série Energia tem apresentação do professor Fernando de Lima Caneppele que coproduziu com o jornalista Ferraz Junior, da Rádio USP de Ribeirão Preto. Você pode sintonizar a emissora em FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS.



