O Instituto de Psicologia (IP) da USP, a Faculdade de Educação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Instituto Singularidades investigaram as formas de violência escolar incluindo bullying, preconceito e discriminação em escolas públicas do estado de São Paulo. O estudo intitulado Ações de enfrentamento ao bullying e a discriminação na escola pública, foi conduzido ao longo de quatro anos, de agosto de 2021 a julho de 2025, e teve como objetivo desenvolver técnicas eficazes para combater essas formas de violência.
O trabalho contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e foi realizado em três escolas do Estado de São Paulo, duas estaduais e uma municipal. A pesquisa, além de entrevistas com os alunos, ouviu também membros da direção para conhecer o grau de inclusão escolar e a forma que elas combatem a violência no seu dia a dia. Professores também foram ouvidos para saber se eles lembravam de algum episódio de bullying, quem eram os autores e vítimas e se tinham a percepção do porquê isso estava acontecendo.
A coordenação geral da pesquisa esteve a cargo do professor José Leon Crochick, do Laboratório de Estudo sobre Preconceito (Laep), do IP-USP. Segundo o docente, pesquisas de meta-análises que mediram vários estudos sobre violência escolar e seu enfrentamento ao redor do mundo, apresentaram uma diminuição de 35% em relação às vítimas e 25% quanto aos agressores em 2025. No entanto, o pesquisador ressalta que essa diminuição ainda é pequena. “Qualquer diminuição na violência é algo que a gente tem de comemorar, porém, ainda é insuficiente. O importante é que cada escola, que conheça suas peculiaridades, alunos, professores e funcionários possa fazer um plano para melhor combater a violência”, diz Crochick.
Para realização da pesquisa foram aplicados questionários para alunos de uma classe do 6º ao 9º ano em cada uma das escolas participantes. Os estudantes se autoavaliaram nas disciplinas português, ciência, geografia, educação e física. Eles também responderam o que era para eles a prática do bullying, quanto à popularidade positiva ou negativa, se agrediram ou eram agredidos, o quanto eram queridos ou temidos por seus colegas, se eram convidados para ir à casa de colegas, se brincavam no recreio e se faziam lição junto com amigos, entre outras questões.
Bullying e discriminação
Conforme Crochick, os resultados mostraram também que do sexto ao nono ano, no período de 2021 a 2025, houve uma tendência de diminuição do bullying e de maus-tratos, enquanto foi verificado um aumento da discriminação frente a alvos frágeis e também hostis. “A nossa hipótese é que isso ocorreu porque o bullying e os maus tratos são ações mais imediatas, enquanto a discriminação é uma ação mais elaborada e sutil, mais propícia a alunos mais velhos”, declara o professor.
Buscando o desenvolvimento da pesquisa foram realizadas ações para reduzir a violência escolar. Para professores, coordenadores e diretores foram realizadas discussões de livros sobre violência escolar, bullying, autoridade, educação inclusiva e a discussão sobre o grau de inclusão das escolas participantes, e analisadas as respostas de alguns professores sobre a violência escolar durante as entrevistas.
Já para os alunos, foram aplicadas escalas para avaliar o desempenho escolar, bullying, discriminação e autoritarismo seguidas de discussões sobre resultados.



