Nos dias 25 e 26 de agosto, o seminário “Potências Negras: Mulher preta quando se junta ergue quilombo” analisará como a resistência das mulheres negras pode contribuir para a igualdade de todas as mulheres

O auditório da Casa de Cultura Japonesa da USP sediará, nos dias 25 e 26 de agosto, o seminário Potências Negras: Mulher preta quando se junta ergue quilombo. No encontro, mulheres estudiosas e ativistas de diversas especialidades debaterão, entre outros temas, como as estratégias de resistência das mulheres negras podem ser utilizadas por todas as mulheres pela igualdade social. As inscrições são gratuitas e on-line e estarão abertas até o dia 25 de agosto.

O seminário faz parte do Colóquio Internacional Expressão Artística, Discurso Midiático: Trajetórias e performances políticas no Brasil e França, organizado pelo Instituto Francês de Imprensa (IFP) da Universidade Paris-Panthéon-Assas e pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. A parceria é uma das iniciativas do Ano Cultural Brasil-França 2025, um acordo dos presidentes Lula e Emmanuel Macron para comemorar as boas relações entre o Brasil e a França.
O evento foi idealizado pelo grupo de Conselheiras Negras do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) da Presidência da República do Brasil, em parceria com o Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos (Diversitas) da USP. O CDESS é um colegiado com representantes da sociedade civil que discute e apresenta propostas de políticas públicas ao governo federal.
Rosângela Hilário, assessora do CDESS e coordenadora do grupo Potências Negras, e Teresa Teles, coordenadora executiva do Diversitas, foram convidadas para compor o comitê científico do evento internacional. Elas ficaram encarregadas de propor a atividade na USP, com questões disparadoras que dialogassem com o colóquio.
Programação do seminário
O evento começa às 19 horas com uma performance da atriz, dramaturga e diretora Dirce Thomaz. Ela é conhecida por interpretar personagens famosas que representam o papel da mulher negra no Brasil ao longo dos anos, como Carolina Maria de Jesus e Xica da Silva.

Em seguida, das 19h20 às 21h30, haverá palestras de abertura. Estarão presentes a advogada Alessandra Garcia Lucio, fundadora e coordenadora-geral do Instituto Itéramaxe; Luana Alves, vereadora na cidade de São Paulo e psicóloga; Maria Angélica Ribeiro, cientista social e professora na Pós-Graduação da FFLCH, e Providence Bampoky, senegalesa e doutora em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
No dia seguinte, às 14 horas, haverá a mesa-redonda Interseccionalidade e Potências Negras: Como as Conselheiras Negras do CDESS mobilizam a sociedade para debater pautas raciais. Depois, das 17h até as 18h30, a educadora e especialista em relações raciais Jussara Santos lançará seu livro Democratização do Colo: Educação antirracista para e com bebês e crianças pequenas.
Às 19 horas, começa a mesa-redonda Epistemologias Negras: Mulher preta quando se junta ergue quilombo, com mulheres negras líderes, pesquisadoras e especialistas de diversas áreas do conhecimento. O encerramento está previsto para as 22 horas.
Francesas e brasileiras que inspiram
A inspiração para o seminário vem de duas mulheres negras que ganharam espaço na escrita nos anos 1960: Carolina Maria de Jesus e Françoise Ega. Carolina é autora do livro Quarto de Despejo, em que relata seu dia a dia como uma mulher negra e periférica. Françoise Ega viu o trabalho da brasileira em um jornal e se identificou com as experiências de vida e a vontade de escrever da autora. Por isso, decidiu redigir cartas a Carolina sobre suas vivências na França entre 1962 e 1964. As correspondências, nunca entregues, viraram o livro Cartas a Uma Negra.
O evento também é inspirado nas teóricas e ativistas do movimento negro Lélia Gonzalez, brasileira, e Françoise Vergès, francesa. Apesar de seus estudos focarem as pautas raciais mais presentes em cada país de origem, ambas defendem que a ascensão de mulheres negras é essencial para que todas tenham seus direitos garantidos.
O site do evento diz que os argumentos de quem se posiciona contra a inclusão de pautas raciais no feminismo “consistem no fato de que, historicamente, mulheres ocupam um espaço de subalternidade e, portanto, a divisão por raça enfraqueceria a luta. Entretanto, quando se pauta a agenda para o combate ao sexismo e discriminação, temas que são específicos das mulheres pretas deixam de ser contemplados na longa lista de conquistas necessárias para sairmos da desigualdade no percurso para equidade nos espaços”.
Seminário Potências Negras: Mulher preta quando se junta ergue quilombo
Quando: dias 25 de agosto, das 19 horas às 21h30, e 26 de agosto, das 14 às 22 horas
Local: Auditório da Casa de Cultura Japonesa (Av. Prof. Lineu Prestes, 159 – Casa de Cultura Japonesa, Cidade Universitária – São Paulo/SP)
Inscrições: gratuitas, até o dia 25 de agosto, pelo site do evento: https://www.even3.com.br/seminario-potencias-negras-mulher-preta-quando-se-junta-ergue-quilombo-606184/





