terça-feira, março 17, 2026
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Crise global e ameaça à democracia colocam Brasil em estado de alerta – Jornal da USP


Escalada de tensões entre EUA, Rússia e China tornam o cenário internacional instável, ao mesmo tempo que, no Brasil, a interferência de Donald Trump eleva – e muito – o nível de instabilidade política

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“Este momento que estamos vivendo é um dos mais graves da história humana desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e ainda é particularmente mais sério porque dispomos hoje de bomba atômica, de bombas nucleares capazes de destruir várias vezes o planeta, ou pelo menos a vida humana na Terra, mesmo que o planeta continue subsistindo”, alerta o professor Renato Janine Ribeiro logo no início de sua coluna, que trata, basicamente, da política internacional, envolvendo sobretudo as três grandes potências atuais: China, em ascensão, e Estados Unidos e Rússia, em decadência, “mas ainda suficientemente fortes para causarem muito mal ao mundo”. Até um ano atrás, acrescenta ele, China e Rússia poderiam ser classificadas como ditaduras, enquanto os EUA eram considerados uma democracia, mas deixaram de sê-lo com Donald Trump, que tomou o Partido Republicano. “A Corte Suprema está totalmente aparelhada, o Congresso tem as duas casas dominadas pelos trumpistas, e então há um controle absoluto de alguém que, na melhor das hipóteses, será insensato e, na pior das hipóteses, será alguém que está totalmente e irresponsavelmente destruindo o que pode. A situação em política internacional, porém, começou a piorar já com Biden, na hora em que o governante dos Estados Unidos se dispôs a ter um conflito não só com a Rússia, mas também com a China […] embora a culpa pela agressão à Ucrânia seja da Rússia e não dos Estados Unidos, o fato é que os Estados Unidos foram pelo menos irresponsáveis em deixar a situação chegar ao ponto que chegou; quanto à China, os Estados Unidos incentivaram revoltas e indignações em Hong Kong e em Taiwan.”

O resultado, diz o colunista, é o de que chegamos a uma situação muito delicada, “ainda agravada pelo fato de que, contrariamente ao que diz nossa mídia, a China e a Rússia não têm nenhum indicador de pretensões de dominação imperial longe de suas fronteiras. Não há frotas chinesas ou russas patrulhando o Oceano Atlântico quanto há as americanas em todos os mares do mundo. Essa situação toda está muito complicada”. O mais grave em toda essa história é que isso está repercutindo também no Brasil.

“Nós temos uma ameaça séria do presidente Trump ao Brasil. Ele está interferindo em nossa política interna de uma forma que não interferiu nenhum governante nas últimas décadas, pelo menos de forma explícita. Está ameaçando. Existe a possibilidade de um golpe de Estado no Brasil? Existe. Existe a possibilidade de se constituir um governo alternativo, que declare seu governo legítimo do País, contrário ao governo Lula, contrário ao Poder Judiciário Federal etc.? Existe. Existe a possibilidade, neste caso, de um desses governos alternativos pedir intervenção americana, mediante envio de armas ou até de tropas? Existe. Tudo isso é muito preocupante e coloca o Brasil numa situação que demanda, ao mesmo tempo, muita união nacional e muita prudência no que fazer.
Porque o que é mais grave ainda é que, enquanto a extrema-direita na França, na Espanha, na Itália nem sequer cogita entregar seus países ao domínio norte-americano, no Brasil nós temos uma extrema-direita que brande as bandeiras daquele que está atacando severamente nossa economia e nossa democracia; então uma situação muito periclitante no Brasil e no mundo.”


Ética e Política
A coluna Ética e Política, com o professor Renato Janine Ribeiro, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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