Mural “Palco de Estrelas” foi pintado na sede da Sociedade Brasileira de Física no campus da USP no bairro do Butantã e dialoga com a obra de Escher
Por Izabel Leão

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Localizada dentro do Instituto de Física (IF) da USP, na rua do Matão, travessa R, 187, a sede da Sociedade Brasileira de Física (SBF) ganhou um mural artístico em sua fachada. A obra foi criada pela artista Estela Luz, que fez uma imersão em diversos aspectos filosóficos, criativos e simbólicos da física e produziu o Palco das Estrelas.
“Coloquei esse nome porque penso muito na questão poética do horizonte como sendo um ‘palco das estrelas’ onde acontecem as coisas, no firmamento. De repente, somos como essa linha imaginária para onde caminhamos, fantasiosamente como se estivéssemos sempre em linha reta. Talvez, nesse caminho, um dia você chegaria em você mesmo, se isso fosse possível numa velocidade absurda”, brinca Estela em entrevista ao Boletim da SBF.
Inspirada na obra do artista M. C. Escher, Estela tem na sua obra a representação da icônica imagem do físico austríaco Wolfgang Pauli e do dinamarquês Niels Bohr, dois dos principais nomes da física quântica no século XX. Ambos estavam envolvidos nas discussões que moldaram a compreensão moderna da matéria em nível subatômico. Há uma representação que mostra os dois observando um “tippe top”, um tipo especial de peão que, ao girar, inverte-se e continua rodando sobre a cabeça. Esse comportamento contra intuitivo fascina cientistas e leigos, e inspirou a ideia do spin do elétron: uma propriedade intrinsecamente quântica, sem paralelo direto no mundo clássico. No entanto, a imagem de um objeto girando e se invertendo pode ter oferecido uma analogia visual inspiradora.
Para inspirar seu trabalho, a artista chegou a receber uma série de equações e buscou fazer uma imersão no tema. A presença da cor violeta na obra, por exemplo, é reflexo de visita aos laboratórios, como o de plasma, e às metáforas do emaranhamento de partículas de luz. “Eu acho muito bonito como os físicos descrevem seus experimentos, as palavras que são usadas, as metáforas como, por exemplo, luz emaranhada. E o laboratório de plasma, que libera a luz violeta, por isso eu resolvi trazer essa tonalidade.”
Artista multidisciplinar, com ênfase em artes visuais, música e poesia, Estela Luz é também musicista e mentora de artistas. Em 2023, foi a primeira mulher a realizar um mural em um prédio de 350 m² em Campinas, no interior de São Paulo. Ela também realizou pintura de murais em outras cidades do interior paulista, em Pernambuco e no Uruguai. O seu fascínio pelos segredos da física levou-a a pintar outro mural na sede do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.
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Texto adaptado da Sociedade Brasileira de Física



