segunda-feira, maio 18, 2026
HomeConsumo conscientePesquisadores alertam para possível introdução de novo vetor de malária no Brasil...

Pesquisadores alertam para possível introdução de novo vetor de malária no Brasil – Jornal da USP


O mosquito é o vetor responsável pela transmissão do protozoário Plasmodium, causador da malária, uma doença grave que pode levar à morte se não for diagnosticada e tratada rapidamente. A infecção ocorre por meio da picada de fêmeas infectadas dos gêneros Anopheles. No Brasil, o vetor principal é Anopheles darlingi, presente, principalmente, em zonas florestais.

O ciclo de transmissão da malária começa quando o mosquito pica uma pessoa já infectada e ingere os parasitas causadores da doença. A partir disso, ele se torna capaz de transmitir a doença ao picar outras pessoas, inocular os microrganismos no sangue delas e completando o ciclo de infecção.

Anopheles stephensi foi identificado como espécie invasora pela primeira vez em 2012, em Djibuti, na África, e tem rápida expansão. No Brasil, a ampla distribuição do Aedes aegypti demonstra como mosquitos adaptados a ambientes urbanos podem ocupar o território. O pesquisador aponta ser essencial que os órgãos de vigilância reforcem o monitoramento entomológico, sobretudo nos portos, para identificação precoce do Anopheles stephensi, reduzindo o risco de sua introdução no Brasil.

Para ele, com a possível introdução de mais esse vetor, a transmissão poderá ocorrer também em áreas rurais e urbanas, ampliando o alcance da doença – o que representa um risco de crise em saúde pública.

Na zona saheliana do Mali foi observada também sua capacidade de se expandir através de fluxos do vento, embora esse método ocorra após a invasão do vetor no continente. Segundo o pesquisador, caso o vetor chegue ao Brasil, há risco de que os ventos marítimos facilitem o transporte de áreas portuárias para urbanas, como de Santos a São Paulo.

“A detecção do mosquito antes de algum processo de transmissão de malária é o mais importante para conseguirmos monitorar e controlar a entrada do vetor, e com isso reduzir o risco de urbanização da malária. E não temos nenhuma ideia se ele já chegou ou não [ao Brasil], inclusive. Porque não temos esse tipo de coleta sistemática em portos visando a detectar o vetor” – André Luís Acosta



Fonte