segunda-feira, maio 18, 2026
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Energia renovável não pode ignorar os custos ocultos – Jornal da USP


A precificação precisa considerar variáveis como as externalidades e a Análise de Ciclo de Vida (ACV) para guiar a política energética

chapéu energia sustentável

Imagem é uma foto que mostra uma planta pequena crescendo, uma lâmpada com bocal enterrado na areia e moedas espalhadas ao lado
Custos ocultos precisam entrar na conta da produção energética – Foto: Freepik
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O debate sobre a melhor matriz energética para um país frequentemente se restringe ao custo direto da produção e ao preço pago pelo consumidor. Essa abordagem, no entanto, é perigosamente incompleta por ignorar os custos ocultos embutidos em cada fonte de energia — seus impactos na saúde pública, no meio ambiente e nas comunidades, conhecidos como externalidades. 

Fernando de Lima Caneppele – Foto: Arquivo Pessoal

Na Série Energia desta semana, o professor Fernando de Lima Caneppele, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP em Pirassununga (SP) analisa como esses custos são suportados por toda a sociedade, distorcendo o campo competitivo a favor de fontes que, embora aparentemente baratas, carregam um pesado passivo socioambiental.

A discussão sobre a precificação desses impactos ganha contornos cada vez mais concretos no Brasil. Segundo o professor, um passo fundamental nessa direção foi a aprovação, no final de 2024, da lei que estabelece as bases para um mercado regulado de carbono no País, que visa a “precificar o carbono”, ou seja, atribuir um custo às emissões de gases de efeito estufa, forçando os poluidores a internalizarem os danos que causam. Essa medida, comenta, alinhada ao Acordo de Paris, tem o potencial de direcionar investimentos para tecnologias limpas e incentivar a produção de biocombustíveis, fortalecendo a já reconhecida matriz energética renovável do Brasil.

Para uma análise verdadeiramente abrangente, a Análise de Ciclo de Vida (ACV) se apresenta como uma ferramenta metodológica indispensável porque avalia os impactos de um produto ou serviço “do berço ao túmulo”, desde a extração da matéria-prima até seu descarte, permitindo uma comparação justa entre as diferentes fontes energéticas. 

Segundo Caneppele, para que o Brasil avance, é imperativo que o valor do planeta e do bem-estar social seja integrado à equação energética. A implementação efetiva do mercado de carbono e a adoção da ACV como ferramenta padrão são passos decisivos. 

A Série Energia tem apresentação do professor Fernando de Lima Caneppele que coproduziu com o jornalista Ferraz Junior, da Rádio USP de Ribeirão Preto. Você pode sintonizar a emissora em FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS.



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