Pela primeira vez, um ex-presidente e generais de alta patente respondem criminalmente por conspirar contra o Estado Democrático de Direito. Julgamento expõe dilema entre provas contundentes e a narrativa de perseguição política
Por Marcia Avanza
O Brasil vive um momento histórico. O que significa para a democracia ver, pela primeira vez, um ex-presidente e militares de alta patente serem julgados por tentativa de golpe de Estado? O Supremo Tribunal Federal inicia nesta semana o julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete acusados, entre eles três generais da reserva, um ex-comandante da Marinha e o tenente-coronel Mauro Cid, cujo acordo de delação revelou os bastidores da trama golpista.
As provas reunidas pela Procuradoria-Geral da República incluem documentos, mensagens e depoimentos que apontam para um plano articulado de ruptura institucional. A defesa, porém, insiste em alegar perseguição política, negando a existência do golpe e classificando o processo como exemplo de “ditadura judicial”. Até que ponto esse argumento resiste diante do volume de evidências apresentadas?
A resposta terá impacto direto não apenas no destino dos réus, mas também na consolidação de um princípio essencial: em uma democracia, ninguém está acima da lei — nem mesmo aqueles que tentam destruí-la.
Qualidade da Democracia
A coluna A Qualidade da Democracia, com o professor José Álvaro Moisés, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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