quarta-feira, março 18, 2026
HomeSaúde física e emocionalentre política, redes sociais e a crise da verdade – Jornal da...

entre política, redes sociais e a crise da verdade – Jornal da USP


De ferramenta progressista nos anos 1970 à manipulação de fake news atuais, o uso das narrativas expõe realidades paralelas e desafia a esquerda a rever seus paradigmas

Por

Logo da Rádio USP

Guilherme Wisnik aborda, em sua coluna de hoje (28), uma expressão que vem sendo muito utilizada atualmente, que vem a ser a das narrativas, que aqui ele analisa não especificamente em relação à literatura, ficção e política, mas como são usadas nas redes sociais, com a característica que são mobilizadas muito menos pelo que seria a pessoa real e muito mais pelas motivações dos perfis que as identificam no mundo virtual. “Os perfis são muito mais bélicos e têm outro temperamento, e aí a questão da narrativa entra, porque há uma grande, digamos, como se fossem realidades paralelas, isso vem muito a propósito do mundo, tal como é construído nos vários discursos. Hoje, com o tarifaço, por exemplo, a mesma situação pode ser descrita, pelos vários lados envolvidos, como vitórias de cada um deles; e, aliás, esse é um comportamento do Trump, que é um jogador por excelência e um ególatra que quer sempre vencer partidas, está sempre se opondo, querendo destruir oponentes, ele funciona na base do raciocínio militarizado e infantil.” Wisnik observa que políticos, como a presidente do México, desenvolveram maneiras de fazer parecer que Trump vence e que está controlando a situação, quando não é bem o que acontece.

Na sequência, ele toca num ponto crucial: como a questão das narrativas se torna uma crise do que seria um ponto de vista cultural de esquerda nos dias que correm. “Essa é a volta do parafuso que eu queria comentar, porque, pensando em termos de história da cultura no século 20, portanto, voltando esse raciocínio mais para trás, a gente poderia dizer que, na emergência do chamado pós-modernismo ou do pós-estruturalismo nos anos 70, um dos pontos fortes dessa virada, que também se chamou de virada linguística, foi a crítica à ideia de que a verdade é uma verdade essencialista, de que existe uma verdade no fundo das coisas e ela corresponde a uma espécie de essência, e que na verdade tudo são discursos e que, portanto, você pode abordar os diversos assuntos como tramas discursivas, despindo-as de uma essencialidade verdadeira e desvelando a sua parcialidade […] Hoje eu acho que uma das grandes crises e impasses é que, com essas manipulações todas e o modo como as narrativas são usadas, na verdade, para ocultar e para falsear e para criar interpretações absurdas dos fatos e oprimir os lados derrotados, essa perspectiva ideológica, política, ela se voltou contra si mesma, então o discurso de esquerda precisa encarar essa necessidade de revisão dos seus paradigmas.”


Espaço em Obra
A coluna Espaço em Obra, com o professor Guilherme Wisnik, vai ao ar  quinzenalmente quinta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

.

 

 

 



Fonte

Mais populares

- Anúncio-
Google search engine