quarta-feira, março 18, 2026
HomeSaúde física e emocionalquando uma espinha pode virar um problema sério – Jornal da USP

quando uma espinha pode virar um problema sério – Jornal da USP


Inflamatória e dolorosa, a doença afeta áreas sensíveis do corpo, mas pode ser controlada com diagnóstico precoce e mudança de hábitos

Por

Imagem de um braço tomado por acnes
O diagnóstico é feito principalmente por avaliação clínica, visualização e palpação das lesões – Foto: Ziyad Alharbi†Email author, Jens Kauczok† and Norbert Pallua/Wikimédia
Logo da Rádio USP

Imagine ter uma pequena espinha que, com o tempo, pode se transformar em uma lesão dolorosa, profunda e até exigir cirurgia. Essa condição tem nome: hidradenite supurativa. Trata-se de uma doença inflamatória do folículo piloso, a estrutura da pele de onde nascem os pelos, e pode ser causada por diversos fatores.

Maria Cecília Rivitti Machado – Foto: Arquivo Pessoal

Segundo a dermatologista Maria Cecília Rivetti Machado, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a hidradenite é uma doença imunomediada, ou seja, está ligada ao funcionamento do sistema imunológico da pessoa. Ela surge por uma combinação de fatores: predisposição genética, tabagismo, obesidade e um estilo de vida pouco saudável, com dieta rica em açúcares e carboidratos e pobre em vegetais.

A principal forma de prevenção, portanto, está em hábitos saudáveis: alimentação balanceada, prática de exercícios físicos e abandono do cigarro. Isso pode reduzir significativamente o risco de desenvolver a doença. Nos estágios iniciais, a hidradenite começa como uma pequena espinha, uma pústula, que, na maioria das vezes, seca sozinha. No entanto, em alguns casos, evolui para furúnculos e abscessos, que podem regredir ou formar estruturas mais profundas na pele, chamadas túneis ou fístulas. Esses túneis inflamam repetidamente, comprometendo áreas próximas ou até surgindo em outras partes do corpo.

Quando essas estruturas se formam, o tratamento clínico geralmente não é suficiente. Nesses casos, é necessário recorrer à cirurgia para remoção. “As regiões mais frequentemente afetadas são axilas, virilha, entre as coxas, região glútea, perineal, genitais, grandes lábios e bolsa escrotal. Também pode surgir entre as mamas e, mais raramente, em locais como couro cabeludo, nuca e atrás das orelhas — onde a doença pode se confundir com formas mais graves de acne.”

Diagnóstico

O diagnóstico é feito principalmente por avaliação clínica, visualização e palpação das lesões, mas hoje a ultrassonografia de pele é um recurso importante, disponível tanto na rede privada quanto no Hospital das Clínicas. Esse exame ajuda a confirmar casos duvidosos, mapear lesões e planejar cirurgias. Em quadros muito extensos, especialmente na região genital e perianal, pode ser necessária uma ressonância magnética para diferenciar a hidradenite de outras doenças.

Não existe um exame de sangue capaz de detectar a hidradenite supurativa. Uma vez feito o diagnóstico, o tratamento é iniciado com medicamentos — geralmente antibióticos e imunobiológicos, que conseguem controlar a maior parte dos casos. No entanto, lesões mais profundas e com túneis não respondem apenas a remédios e exigem abordagem cirúrgica.

A frustração de muitos pacientes, como explica a especialista, está no fato de que, “mesmo após a cirurgia, a doença pode voltar. Isso acontece porque os folículos próximos à lesão inicial já podem estar iniciando o processo inflamatório. É por isso que, mesmo com a remoção de uma área comprometida, novas lesões podem surgir ao redor”. Hidradenite supurativa é uma doença séria, muitas vezes invisibilizada, mas que pode ser controlada com diagnóstico precoce e tratamento adequado.


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 



Fonte

Mais populares

- Anúncio-
Google search engine