domingo, maio 17, 2026
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Modelo de linguagem baseado em lA pretende acelerar decisões judiciais na saúde – Jornal da USP


Software desenvolvido por pesquisadores da USP, em parceria com a Amazon, pode ajudar juízes na análise de pareceres técnicos relacionados à aprovação de medicamentos

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chapéu que indica que a matéria faz parte do Momento Tecnologia

Fotomontagem que mostra embalagens de medicamentos lado a lado
O projeto busca acelerar as decisões judiciais na saúde, como a aprovação de medicamentos a pacientes – Fotomontagem feita com imagens de Freepik e Pixabay
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Em parceria com a Amazon Web Services, pesquisadores do Hospital das Clínicas e do Instituto de Matemática e Estatística, ambos da USP, desenvolveram um novo modelo de linguagem especializado. A partir do uso de inteligência artificial, o projeto busca acelerar as decisões judiciais na saúde, como a aprovação de medicamentos a pacientes.

Nos últimos anos, a judicialização da saúde tem se tornado um grande problema nacional. Processos jurídicos que antes demoravam 24 horas para serem analisados, atualmente podem levar até 20 dias. Giovanni Cerri, professor da Faculdade de Medicina (FM) da USP e um dos idealizadores do projeto, comenta que houve mudanças recentes importantes nesse contexto. “Neste ano, foi decidido que os juízes têm que, obrigatoriamente, se basear em evidências científicas para tomar suas decisões. Então nós pensamos que, na era da tecnologia, nós poderíamos utilizar IA generativa para tornar o acesso a dados e pareceres mais eficiente, rápido e fácil.”

Segmentação

João Eduardo Ferreira – Foto: Lattes

Para a construção e aprendizado do software foram utilizados pareceres e dados técnicos disponibilizados pelos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein. João Eduardo Ferreira, colaborador da iniciativa e professor no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, afirma que, como todo modelo de linguagem baseado em IA, é necessário a apresentação de um conjunto denso de dados para o aprendizado da inteligência. O diferencial desse software, segundo o docente, foi a segmentação dos pareceres.

“É como se eu separasse aquilo que de fato interessa no texto para o modelo aprender. Então, neste caso, nós estimulamos a descrição da doença, do medicamento, de seus princípios ativos, da ciência ligada a esses medicamentos”, detalha Ferreira. Essa segmentação seguirá parâmetros pré-definidos, consultando bases de dados públicas para verificar pendências, classificar casos por urgência, aplicar checklists e analisar evidências clínicas e jurídicas, sempre segundo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Impacto social

Giovanni Guido Cerri – Foto: LinkedIn

O software desenvolvido não possui patente, ou seja, não será comercializado no mercado. De acordo com Cerri, após o teste final do projeto, o equipamento será disponibilizado diretamente aos juízes. “Esse é um projeto de impacto social. Nós estamos desenvolvendo esse software para auxiliar favoravelmente na judicialização da saúde, sem objetivo de nenhum retorno econômico. O algoritmo poderá ajudar não só os juízes, mas também os pacientes, que muitas vezes, por conta da escassez de pareceres técnicos médicos, recebem medicamentos inadequados ao seu tratamento”, complementa o professor.

Em setembro entrará em vigor a última fase de desenvolvimento do modelo de linguagem. O projeto piloto será utilizado no Tribunal Regional de Santa Catarina, com duração prevista até o início de 2026. Após o período de teste, Ferreira afirma que se iniciará um período de produção em escala, para encaminhamento aos demais órgãos judiciais.

“Nós temos duas principais metas com o software. Primeiramente, reduzir o tempo de análise dos pareceres para, no máximo, 48 horas. Além disso, nós buscamos que essa análise seja assertiva, para gerar o melhor resultado possível. Nós temos que reduzir o tempo de resposta das solicitações e, ao mesmo tempo, o apoio”, diz Ferreira. O professor ainda adiciona que o novo modelo de linguagem especializado deve ser tratado como mecanismo de apoio, e não como solução do problema. Dessa forma, outras medidas devem ser propostas e desenvolvidas pelos governos.

*Sob supervisão de Cinderela Caldeira


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