O exame de imagem é um dos pilares mais importantes para avaliar o tipo de lesão cerebral do paciente. Segundo os pesquisadores, a tomografia computadorizada é útil para identificar lesões calcificadas. A ressonância magnética é mais eficiente na detecção de cistos ventriculares e subaracnóideos (tumores benignos que se desenvolvem em uma das três meninges que revestem o encéfalo e a medula).
Exames sorológicos são comuns e têm boa sensibilidade em casos de múltiplas lesões, mas falham em identificar lesões únicas ou calcificadas. “Para realizar testes de imunologia durante a investigação, dependemos de recursos financeiros mais avançados”, reforça Pardini.
Após o exame de imagem, é necessário avaliar se os cisticercos estão no parênquima cerebral (massa cinzenta), forma mais comum e branda da doença, ou nas cisternas basais subaracnóideas (região mais inferior que envolve o encéfalo e por onde circula líquido cérebro-espinhal), causando a forma racemosa. A NCC racemosa aumenta o risco de hidrocefalia e outras complicações neurológicas.
“Se a larva está nos ventrículos ou em volta do tronco cerebral, região onde o líquido é drenado, ela pode obstruir a passagem e aumentar a pressão intracraniana, gerando uma manifestação muito mais grave [da neurocisticercose]” – Tissiana Haes
A inflamação do cisto pode gerar meningite crônica. “O paciente pode ter muita dor de cabeça, crises epilépticas muito fortes e, junto com a hipertensão intracraniana, isso pode ser ameaçador à vida”, complementa.
A cientista comenta que testes inovadores estão sendo desenvolvidos a partir de antígenos recombinantes e proteínas sintéticas, mas ainda não estão disponíveis na maioria dos centros. “Estamos utilizando outras partes do parasita para melhorar a detecção pelo sangue ou pelo líquido”, explica.



