Professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP Emerson Franchini desenvolve pesquisas sobre modalidades esportivas de combate, especialmente o judô, com foco na produção de conhecimento voltada a profissionais que atuam nesse campo

.
O professor e pesquisador Emerson Franchini, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, é o autor mais citado do mundo em pesquisas sobre lutas e artes marciais de acordo com o estudo Bibliometric Comparative Analysis of Web of Science, Scopus, and PubMed Databases: a General Approach to Martial Arts, publicado em junho de 2025 no Journal of Kinesiology and Exercise Sciences. Foram analisados mais de 12 mil artigos indexados nas bases de dados Web of Science, Scopus e PubMed, e Franchini lidera os três bancos de dados avaliados. Segundo o levantamento, o pesquisador acumula mais de 200 publicações científicas (considerando Scopus, Web of Science e PubMed) e quase 6 mil citações (considerando Scopus e Web of Science), números que o colocam como referência acadêmica internacional sobre o tema.
“A publicação de estudos de natureza bibliométrica tem aumentado na área de ciências do esporte, e nosso grupo da EEFE tem aparecido como destaque com a temática de esportes de combate. Ainda que não mude minha posição ou a da USP nos resultados apresentados, vejo que os dados do artigo precisam de alguns ajustes matemáticos”, explica Franchini.

Além de Franchini, outra pesquisadora da USP também se destaca no ranking, sendo a segunda em número de citações e a terceira em número de publicações: Bianca Miarka, doutora em Biodinâmica pela EEFE. Ainda, de acordo com o estudo, a USP se destaca como a instituição com maior produção científica global na área. E, na produção por país, os que mais contribuem em volume de publicações são Estados Unidos, Brasil, China e Polônia, respectivamente.
Produção de conhecimento para profissionais
Franchini acredita que uma das razões do reconhecimento e das citações venham da investigação sobre as modalidades esportivas de combate, especificamente o judô, de forma transversal (como tema integrado de pesquisa) e com perspectivas de produção de conhecimento para a intervenção dos profissionais que atuam nesse segmento. “Isso foi possível graças à abertura de minha orientadora – da iniciação científica ao doutorado – professora Maria Augusta Peduti Dal’ Molin Kiss, que permitiu a realização de projetos com essa temática em uma época em que pouco se produzia cientificamente sobre essas modalidades”, explica.
O pesquisador estuda o tema desde 1995 e atribui o fato de ser referência na área à sua persistência ao longo dos últimos 30 anos. “Conseguimos atrair estudantes de bom nível para investigarem essas modalidades, bem como boa capacidade para estabelecer parcerias com cientistas de outras universidades, tanto do Brasil quanto do exterior.” Ele destaca como publicações que sintetizam a produção de seu grupo de pesquisa os artigos de revisão publicados nos periódicos Sports Medicine, Journal of Strength and Conditioning Research, International Journal of Sports Physiology and Performance e Metabolites.
Produção mundial de pesquisa na área
Na área de pesquisa sobre artes marciais e lutas, Franchini avalia que, após um crescimento exponencial da produção nas duas primeiras décadas deste século, o campo entrou em uma fase de estabilização, com grupos de diferentes países desenvolvendo bons estudos sobre o tema. “Talvez a principal mudança nos anos recentes seja a crescente participação de pesquisadores de universidades chinesas publicando sobre o tema em periódicos indexados em bases internacionais. Também tem ocorrido uma diversificação dos tópicos, especialmente quanto ao público-alvo das investigações”, destaca.
O pesquisador também destaca, entre os estudos mais recentes, uma quantidade significativa de trabalhos voltados a crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, além de pesquisas sobre a melhoria da aptidão física e da qualidade de vida em diferentes faixas etárias, especialmente entre pessoas idosas, por meio de práticas corporais adaptadas a esses grupos.
.
Com informações de Guilherme Ike, estagiário sob supervisão de Paula Bassi, da EEFE-USP



