sábado, maio 16, 2026
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estudo alerta para falta de prevenção e uso de protetores bucais – Jornal da USP


Em outro estudo avaliado, um paciente de 21 anos se lesionou durante uma partida de basquete e teve fraturas horizontais nos dentes. O atleta passou por diversos tratamentos até a restauração dental com resina composta. Sete meses após o atendimento, ele sofreu um novo acidente durante um jogo. Desta vez, a terapia recomendada foi a extração de dois dentes previamente reconstruídos.

A principal medida de cuidado é o uso de protetores bucais ou faciais, a depender do esporte praticado. Estas proteções são comprovadamente eficazes na prevenção ou minimização da gravidade dessas lesões. Para Alice Sousa, a baixa adesão a esses equipamentos pode estar relacionada à ausência de orientação, à percepção do atleta de que o risco de acidentes é baixo e à ideia equivocada de que o uso do protetor bucal traria desconforto, interferência na fala ou dificuldade respiratória.

Em muitos contextos, a cultura preventiva ainda não está incorporada ao treinamento esportivo. O uso de protetores é visto como opcional, enquanto deveria ser considerado parte do equipamento básico de segurança, explica a professora.

Ela aponta que a odontologia do esporte está além do tratamento de lesões traumáticas. A especialidade demonstra sua importância também ao orientar e adaptar o uso de equipamentos de proteção, como os protetores bucais personalizados, para maior conforto e segurança dos dentes e tecidos bucais. Segundo ela, é fundamental que cirurgiões-dentistas participem de equipes interdisciplinares visando à preservação da saúde bucal e otimização da performance dos atletas.

A professora da Forp destaca que o termo “atletas” abrange não só profissionais, mas também os armadores, que praticam atividades físicas regularmente – e que também estão sujeitos a lesões dentárias. “Todos estão sujeitos aos riscos e podem se beneficiar das orientações e cuidados desse especialista”, alerta.

Os relatos analisados abrangem diferentes contextos internacionais, incluindo Estados Unidos, Brasil, Sérvia, Itália, Índia e Reino Unido. A International Association of Dental Traumatology (IADT) é responsável pela elaboração e atualização de diretrizes que orientam a prática clínica em âmbito global. Para Alice, a disseminação dessas normas ainda é baixa.

O artigo Management strategies for sport-related traumatic dental injuries: a systematic review based on case reports pode ser acessado aqui.

Mais informações: e-mail alicesousa@usp.br, com Alice Corrêa Silva Sousa

*Estagiária sob orientação de Fabiana Mariz

**Estagiário sob orientação de Moisés Dorado



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