Lançada pela Faculdade de Medicina de Bauru da USP, a cartilha busca tanto informar a população em geral quanto combater as fake news

Doenças virais, como a gripe e a covid-19, continuam sendo ameaças para a população brasileira atualmente, devido principalmente à alta transmissividade e baixas coberturas vacinais oferecidas. Recentemente, dados alarmantes da Fiocruz revelaram um aumento de 157% nas mortes por gripe entre idosos e um crescimento de 189% nas internações do mesmo grupo, ao mesmo tempo que a covid-19 segue causando milhares de mortes no País.
Diante disso, no mês passado, a Faculdade de Medicina de Bauru (FMBRU) da USP lançou a cartilha de vacinação contra a gripe e a covid-19. Com informações de fácil compreensão, a publicação esclarece dúvidas e reforça o papel social da vacinação na prevenção de surtos e epidemias.
A professora Deborah Maciel Cavalcanti Rosa, da FMBRU-USP, que orientou as alunas Fernanda Yukari Okuhama e Júlia Galvão Lahr de Moura na elaboração da cartilha, comenta a respeito dos objetivos do documento. “O principal objetivo do projeto foi a elaboração e divulgação de cartilhas educativas para diferentes faixas etárias, mais focada na conscientização sobre a importância da vacinação contra a covid-19 e a gripe. O projeto buscou tanto informar a população em geral quanto combater as fake news, as notícias falsas, visando principalmente ao aumento da cobertura vacinal. Essas cartilhas foram desenvolvidas com base em evidências científicas e nós utilizamos uma linguagem acessível para engajar todos os leitores e, acho que mais pontualmente, incentivar escolhas mais responsáveis em relação à saúde pública, ou seja, aumentar a cobertura vacinal.”
A divulgação desse material também é crucial durante este período do ano, devido à alta nas doenças por causa do inverno e das temperaturas mais baixas, como confirmado pelos dados da Fiocruz. De forma que o clima frio favorece uma maior aglomeração de pessoas em ambientes fechados, favorecendo a propagação.
Por que a cartilha foca nessas duas doenças?

“As cartilhas abordam especificamente as vacinas da gripe e da covid-19 porque, apesar de serem doenças com alto potencial de propagação e sobrecarga do sistema de saúde, a cobertura vacinal ainda é baixa no Brasil. Dados do Ministério da Saúde e de veículos de imprensa mostram que, em 2024 e 2025, a cobertura vacinal contra a gripe ficou bem abaixo da meta de 90% para os grupos prioritários. Por exemplo, em junho de 2025, o País havia alcançado apenas 41,28% da população-alvo. A queda na cobertura vacinal, que começou antes da pandemia e se acentuou, continua a ser um desafio de saúde pública, o que reforça a relevância de materiais educativos como as cartilhas para conscientizar a população”, comenta a professora.
A divulgação desse documento é também de suma importância para esclarecer a diferença entre os dois vírus – apesar dos sintomas parecerem leves em ambos os casos, podem levar a complicações mais graves, como a pneumonia, e levar à internação e até mesmo a óbito. Além disso, abordar em conjunto as doenças facilita a comunicação sobre os riscos de mutações que elas podem sofrer, e assim explicar a necessidade de atualizar as vacinações anualmente.
Conteúdo da cartilha
O conteúdo da cartilha fornece inúmeras informações para o público, explicando o que são ambas as doenças, quais são seus sinais e sintomas, como deve ser realizada a prevenção e o controle, como funcionam as vacinações e dúvidas frequentes. Ademais, traz informações mais específicas sobre o período de transmissão e de incubação dos agentes transmissores, prognósticos, complicações e fatores de riscos das duas doenças, tudo de forma fácil para a compreensão. Esse tipo de projeto é extremamente relevante para aumentar o estímulo à vacinação da população, levando ao aumento da adesão às campanhas de imunização, ajudando a elevar a cobertura vacinal, além de reforçar o papel das universidades como comunicadoras dessas campanhas.
Deborah finaliza dizendo quais são as ideias futuras para esses projetos das cartilhas: “O nosso projeto ainda está na fase de divulgação das cartilhas, buscando parcerias para essas divulgações, mas existe, sim, a possibilidade de dar continuidade a esse trabalho no futuro. A longo prazo a gente pode desenvolver mais materiais educativos e expandir essa conscientização das vacinas ou até mesmo sobre doenças e outros agravos de saúde pública”.
*Sob supervisão de Paulo Capuzzo
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