Pesquisa analisou evolução e distribuição do gênero Neoraputia, ampliando registros de ocorrência e gerando ferramentas de identificação

O estudante André Davanso Fabro, graduando em Biologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e bolsista do programa Pibic-CNPq, conquistou o segundo lugar no Prêmio Verde, concedido pela Sociedade Botânica do Brasil (SBB). A premiação ocorreu no dia 12 de agosto, durante o 75º Congresso Nacional de Botânica, realizado em Parnaíba (PI).

O trabalho premiado, intitulado Análise Filogenética e Modelagem de Nicho Ecológico do Gênero Neoraputia Emmerich ex Kallunki (Galipeineae, Rutaceae), foi orientado pelo professor Milton Groppo Junior, do Departamento de Biologia da FFCLRP. O gênero Neoraputia, composto de seis espécies nativas da América do Sul, todas presentes no Brasil, pertence à família Rutaceae, a mesma de laranjas, limões e da arruda.
Entre 2024 e 2025, Fabro desenvolveu uma investigação inovadora, que combinou técnicas modernas de biologia molecular, morfologia e modelagem ecológica para compreender a evolução e a distribuição dessas plantas. O estudo envolveu análise de dados genéticos e anatômicos a partir de amostras de herbário e de campo, além de sequências de DNA do núcleo e do cloroplasto, permitindo a formulação de hipóteses filogenéticas sobre as relações evolutivas do grupo.
A pesquisa trouxe resultados inéditos, como novos registros de ocorrência em países como Panamá e Guianas, além da possibilidade de presença na Bolívia. O trabalho também demonstrou que o fator determinante para a distribuição atual das espécies é a disponibilidade de água, já que todas ocorrem em áreas úmidas da Mata Atlântica, sobretudo no sul da Bahia, e da Amazônia, sendo raras ou ausentes em regiões de chuvas menos frequentes.

Além de ampliar o conhecimento científico sobre o grupo, a investigação resultou em uma chave de identificação das espécies, uma prancha fotográfica e descrições detalhadas que deverão ser publicadas em artigo científico. “O objetivo foi analisar as espécies conhecidas de Neoraputia, a fim de preencher as lacunas de conhecimento existentes para o grupo”, explica Fabro.
Para o estudante, a premiação é um marco em sua trajetória acadêmica. “A segunda colocação foi muito satisfatória, pois o trabalho é fruto de um longo esforço, e é empolgante ver esse reconhecimento em um dos concursos mais tradicionais da SBB”, afirma.
O professor Groppo destaca a importância do resultado tanto para o aluno como para a instituição. “O fato de meu aluno ter sido finalista e obter o segundo lugar é muito relevante, pois a SBB é a mais prestigiosa e mais antiga sociedade brasileira em estudos de plantas”, ressalta. Segundo ele, o prêmio evidencia a qualidade do trabalho desenvolvido tanto pelo Laboratório de Sistemática de Plantas quanto pelo Departamento de Biologia da FFCLRP.
Criado em 1992, o Prêmio Verde reconhece os melhores trabalhos de pesquisa realizados durante a graduação em todo o País, incentivando a formação de novos pesquisadores em Botânica.
*Estagiária sob supervisão de Rose Talamone



