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pesquisador explica fenômeno – Jornal da USP


Produzido por laboratório da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, podcast discute a origem histórica dos boatos e sua relação com as fake news disseminadas pelas redes sociais

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Pintura medieval com várias pessoas em pé e com vestimentas da época
Podcast sobre estudos medievais está disponível em streamings como o Spotify – Foto: Petar Milošević/Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0

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Boatos, rumores, notícias clandestinas ou falsas são os temas do 52º episódio do podcast Estudos Medievais – Circulação de Boatos, produzido pelo Laboratório de Estudos Medievais (Leme) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. O podcast está
disponível em streamings como o Spotify ou na página do Guia Medieval

O podcast conta com a participação do professor Julio Cesar Magalhães de Oliveira, do Departamento de História da FFLCH, que discute a circulação de boatos nas sociedades antigas. O professor explica o que são os boatos e qual a relação entre eles e os rumores, as notícias falsas e as notícias clandestinas. Oliveira também apresenta os seus estudos mais recentes sobre a propagação de boatos de cunho político no Império Romano Tardio. Em particular, ele se interessa pela relação entre a circulação dos rumores e a percepção de oportunidades políticas pelos grupos sociais. O entrevistado reflete sobre por que os boatos são criados, quais fatores lhes dão credibilidade e por que eles se propagam. Ao fim, ele também comenta sobre a especificidade do fenômeno contemporâneo de circulação de notícias falsas por meio das redes sociais.

Para Oliveira, é preciso primeiramente entender a diversidade lexical nesta abordagem do tema dos boatos. Segundo ele, alguns pesquisadores falam de boatos, enquanto outros, sobre rumores, notícias clandestinas ou notícias falsas. “Cada uma dessas palavras depende muito da língua em que estamos falando. A palavra ‘rumor’ tem a mesma origem latina rumeur, em francês, e rumeur é mais próximo do nosso boato, enquanto rumor seria traduzido como barulho”, declara.

Uma característica mais própria do boato, segundo Oliveira é muito mais uma notícia improvisada, seja ela verdadeira ou falsa, que tenha algum pé na realidade contemporânea, mas que tem alguma parte de especulação também e que é dita na forma do improviso e do incerto. O que importa para o historiador, afirma o professor, é não saber se a notícia é verdadeira ou falsa, mas sim o porquê das pessoas acreditarem nela, qual a lógica, o sentido e qual a razão da difusão dessa notícia.

Clique no player abaixo para conferir o episódio:

No podcast Estudos Medievais, Oliveira aborda também o tema fake news, que para ele trata-se literalmente de notícia falsa: “Seria interessante diferenciar a notícia falsa simplesmente. A rigor, a notícia falsa não foi plantada por alguém como um fato construído, como é o caso da fake news, que é deliberadamente elaborada e difundida pelas redes sociais e se passa por uma notícia. A fake news nem sequer pretende ser algo que está no incerto, é uma verdade alternativa, é um produto da pós-verdade”, ressalta.

Conhecimento em forma de podcast

O podcast Estudos Medievais traz pesquisadores do Brasil e do exterior para abordar os temas relacionados à história do período. A ideia do grupo, formado por graduandos e pós-graduandos da USP, sob orientação de professores, é reunir pesquisadores da área de História Medieval, desenvolver pesquisas em rede e divulgar conhecimentos para o público geral. Os episódios são mensais e têm entrevistas, apresentações e bate-papos com estudiosos.

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Posted: 10/12/2020

Para acompanhar o podcast acesse: Guia MedievalSpotify ou Apple Podcasts

Confira as atividades do grupo em https://leme.fflch.usp.br e nas redes sociais Facebook, Instagram, Twitter e Youtube

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