José Álvaro Moisés define o julgamento de Bolsonaro e aliados como avanço inédito contra a impunidade, mas alerta que pressões por anistia expõem riscos de retrocesso
Por Marcia Avanza
Nesta sua coluna quinzenal para a Rádio USP e o Jornal da USP, o professor José Álvaro Moisés comenta o momento histórico vivido pelo Brasil com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, militares de alta patente e aliados pela tentativa de golpe em 2022. Pela primeira vez, políticos e oficiais são responsabilizados civilmente por atos contra a democracia, sem reação corporativa das Forças Armadas, o que representa amadurecimento institucional e fortalece o Estado Democrático de Direito. O processo é considerado exemplar internacionalmente, destacando também o papel do STF na defesa da Constituição.
Por outro lado, cresce a pressão de parlamentares bolsonaristas por uma anistia anticonstitucional, que busca absolver tanto os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 quanto o próprio ex-presidente. Essa iniciativa, com claro viés eleitoral, reacende o risco de impunidade e ameaça novos ataques ao regime democrático. O dilema brasileiro está em escolher entre consolidar os avanços recentes ou ceder a pressões que podem fragilizar as instituições.
Qualidade da Democracia
A coluna A Qualidade da Democracia, com o professor José Álvaro Moisés, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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