sábado, maio 16, 2026
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Investimento em ciência e tecnologia impulsiona países de renda baixa e média – Jornal da USP


Há 30 anos, países de renda alta lideravam a publicação de artigos científicos pelo mundo – hoje, essa realidade mudou, graças ao investimento em ciência e tecnologia pelos países mais pobres

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O professor Glauco Arbix traz boas notícias nesta sua coluna, especialmente para os países de renda baixa e média, e isso vale para o Brasil. É que o investimento realizado nas últimas décadas em ciência e tecnologia está rendendo frutos, tendo mudado o mapa da ciência em todo o planeta. Há 30 anos, diz Arbix, quase 90% dos artigos científicos publicados foram apresentados por autores sediados em países de renda alta. Em 2024, 30 anos depois, 60% foram assinados por cientistas residentes em países de renda baixa e média. Países como Brasil, China, Rússia e a Índia, por exemplo. Ele lembra que a China superou os Estados Unidos em artigos publicados em 2015. “Mesmo quando a China é separada desse conjunto, os 28 países de renda baixa e média com mais autores ficam à frente da soma dos 27 países da União Europeia e do Reino Unido. A base de dados utilizada foi composta de mais de 100 milhões de publicações de mais de 7 mil editoras científicas do mundo todo.”

Pesquisas indicam que o número de artigos publicados globalmente tem crescido a uma taxa de 5% ao ano, impulsionado pelo aumento na quantidade de autores que pesquisam em países emergentes. Mas isso tem uma explicação: “Esse crescimento se deve ao investimento em CIT, que grande parte desses países, não tão avançados, realizou para construir capacidade científica, criar universidades, institutos de pesquisa, laboratórios públicos e privados, aperfeiçoar, melhorar agências de fomento e fortalecer a infraestrutura de pesquisa. Claro que esse investimento é desigual”. Em relação ao Brasil, prossegue Arbix, o país melhorou, mas vem perdendo o seu ritmo de crescimento nos últimos anos, mesmo com o esforço de agências de fomento em financiar as pesquisas brasileiras. “Aliás, o levantamento também mostrou que o apoio à produção de estudos voltados para impulsionar os objetivos do desenvolvimento sustentável da ONU levou a um crescimento dos artigos, puxado pelos países de renda baixa e média. Claro que há enormes desafios pela frente em todos esses países, a começar pela necessidade de avançar na cooperação internacional, que é chave para o avanço da ciência, assim como é preciso dar um salto na colaboração entre universidades e empresas”, constata o colunista que, antes de concluir sua análise, observa que, no Brasil, apenas 3% das publicações de acadêmicos têm coautores e empresas. “O ritmo de inovação perde e perde também o desenvolvimento econômico. Mas as coisas melhoraram no campo da ciência e tecnologia, e isso é muito importante.”


Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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