Com participação de cientistas da USP, a equipe a cargo do Telescópio de Horizonte de Eventos (EHT, na sigla em inglês) divulgou novas imagens do buraco negro supermassivo no centro da galáxia M87, chamado de M87*. As figuras revelam como o campo magnético se altera ao seu redor: no horizonte de eventos – o limite do buraco negro – nem a luz é rápida o bastante para escapar da gravidade.
O grupo de cientistas identificou a extensão do jato relativístico — a matéria em estado plasmático — do buraco negro para além de sua base. Ele é ejetado do horizonte de eventos, da sua singularidade, o ponto do buraco negro onde a gravidade é tão massiva que não existe mais espaço-tempo. Essas novas observações, publicadas na revista científica Astronomy & Astrophysics, fornecem informações sobre o comportamento da matéria e da energia nos ambientes extremos que circundam o buraco negro.
Localizada a cerca de 55 milhões de anos-luz da Terra, a galáxia M87 abriga um buraco negro supermassivo com mais de 6 bilhões de vezes a massa do Sol. A equipe do EHT usa um rede global de radiotelescópios, que capturam ondas de rádio espaciais para enxergar onde os sistemas óticos convencionais não veem. O projeto, então, coordena equipamentos ao redor do globo e faz o planeta de telescópio. Em 2019, o grupo capturou a primeira imagem da “sombra” do M87*, a área escura do buraco negro onde nem a luz escapa. Agora cientistas comparam registros de 2017 a 2021 para compreender como os campos magnéticos próximos ao corpo celeste mudam ao longo do tempo.
“O que se destaca é que, embora o tamanho do anel — o eco de luz que rodeia o buraco negro — tenha permanecido constante ao longo dos anos, comprovando a teoria de Einstein, o padrão de polarização magnética mudou significativamente” disse Paul Tiede, astrônomo do Centro de Astrofísica da Universidade de Harvard em parceria com o Instituto Smithsonian e autor principal do artigo. “Isso mostra que o plasma magnetizado que gira perto do horizonte de eventos não é estático; é dinâmico e complexo, o que desafia os nossos modelos teóricos.”
“A cada ano aprimoramos o EHT — com novos telescópios, instrumentação atualizada, ideias inovadoras para exploração científica e algoritmos inéditos que extraem ainda mais informação dos dados”, acrescentou o coautor Michael Janssen, membro do conselho científico do EHT e professor assistente da Universidade Radboud de Nimega, na Holanda. “Neste estudo, todos esses fatores contribuíram para gerar novos resultados e novas perguntas, que certamente nos ocuparão por muitos anos.”



