domingo, maio 17, 2026
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“Quenched galaxies” levantam questões sobre como os sistemas estelares evoluem – Jornal da USP


Roberto Costa explica por que o termo popular galáxia morta é equivocado e como descobertas do James Webb ajudam a entender o futuro da Via Láctea

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Imagem de uma galáxia conhecida como galáxia morta
Muitas vezes o termo quenched galaxies foi traduzido como “galáxias mortas”, mas há um erro nessa divulgação científica – Imagem: ESA/Hubble & NASA, J. Lee Acknowledgement: Leo Shatz/Wikimedia
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Descobertas recentes do telescópio espacial James Webb estão ajudando a reescrever a história cósmica. Ao observar os estágios mais primitivos do Universo, cientistas têm identificado galáxias que pararam de formar estrelas muito cedo –as quenched galaxies– levantando novas questões sobre como esses sistemas evoluem e o que isso significa para o futuro do cosmos. O professor Roberto Costa, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP é quem explica sobre esse termo e o futuro da galáxia.

Roberto Costa – Foto: Lattes

Muitas vezes o termo quenched galaxies foi traduzido como “galáxias mortas”, mas há um erro nessa divulgação científica. De acordo com o professor, a expressão está incorreta. “Essas galáxias não estão mortas, mas interromperam a formação estelar precocemente. Ainda sim, descobrir que isso pode acontecer em menos de 1 bilhão de anos após o Big Bang é um resultado disruptivo”, explica. Costa acrescenta que esse termo traduzido errado deve ter se reproduzido a partir da primeira tradução equivocada; após isso, a replicabilidade das matérias na imprensa deve ter disseminado o termo errado.

Uma analogia trazida pelo professor para explicar melhor o que seria quenched é a seguinte: “Imagine uma comunidade, como uma pequena cidade, por exemplo, onde, por alguma razão, não nasçam crianças há alguns anos, mas a cidade segue sua vida normal. Você diria que é uma cidade morta?! Ela segue e seguirá existindo enquanto existirem as pessoas. Com uma galáxia é a mesma coisa: continuam existindo as estrelas e, muito provavelmente, os planetas em torno delas, portanto, a galáxia está bem viva”. O especialista, claro, enfatizou que esse tipo de analogia biológica deve ser entendida dentro de seu limite, uma vez que galáxias, ou mesmo as estrelas que as compõem, não são organismos vivos e portanto não nascem ou morrem no sentido literal desses verbos.

Espirais e elípticas

As galáxias podem ser classificadas em dois grandes grupos: espirais e elípticas. As mais conhecidas são as espirais, como a Via Láctea e Andrômeda. Elas possuem braços bem definidos, ricos em gás e poeira, o que permite a formação contínua de novas estrelas. Se você olha para a Nebulosa de Órion, que fica perto das Três Marias, que todo mundo sabe reconhecer, lá é uma região de formação estelar. Lá tem estrelas se formando agora. E formação estelar não é algo que acontece de um dia para o outro. Tipicamente leva milhões de anos até uma estrela começar,a se contrair, se contrair, se contrair,até virar uma estrela de verdade.”

Já as elípticas lembram esferoides, formato arredondado ou ovalado, com pouco gás disponível e, por isso, baixa taxa de formação estelar. As elípticas não têm formação estelar ou têm formação estelar muito, muito baixa, porque têm uma quantidade de poeira e gás muito baixa”, explica Roberto Costa.

O futuro da Via Láctea

O destino da nossa galáxia está ligado tanto ao ciclo de vida das estrelas quanto às interações cósmicas. “Uma estrela como o Sol vive cerca de 11 bilhões de anos e já está na metade do seu ciclo. Mas estrelas menores podem durar centenas de bilhões de anos”, revela Costa.

Além disso, a Via Láctea deve colidir com Andrômeda daqui a cerca de 5 bilhões de anos, formando uma galáxia maior. “Não é algo com que devamos nos preocupar, porque a própria vida na Terra é transitória. Dentro de 1 bilhão de anos o aumento da temperatura do Sol já tornará o planeta inóspito para água líquida”, afirma.

O professor lembra que, embora se fale em vida fora da Terra, é mais provável encontrar formas simples, como uma bactéria ou uma alga, do que civilizações avançadas. “Durante dois terços da história da Terra, a vida foi unicelular. Procurar por bactérias é muito mais realista do que imaginar cruzadores espaciais”, conclui.

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo


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