domingo, maio 17, 2026
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livro reúne produção acadêmica da USP na área de jogos de tradicionais – Jornal da USP


Publicação disponível para download gratuito analisa o papel dos jogos e esportes tradicionais como ferramentas de inclusão social, saúde e valorização cultural, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

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Cinco crianças, três meninos e duas meninas brincando agachados com piões
Jogos tradicionais com piões – Foto: Renata Meirelles/Livro Jogos e Esportes Tradicionais

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Dos jogos de pião, pular elástico, cinco marias, pique bandeira, à sinuquinha, bolinha de gude e amarelinha, o livro Jogos e esportes tradicionais: percursos nacionais e internacionais é um convite ao conhecimento sobre o jogar e brincar. A obra, de autoria das professoras Soraya Chung Saura e Ana Cristina Zimermann, ambas da Faculdade de Educação Fisica e Esportes (EEFE) da USP, reúne a produção acadêmico-científica desenvolvida nos últimos 15 anos na EEFE e na Faculdade de Educação (FE) da USP. Trata-se de uma obra coletiva, que agrega contribuições de pesquisadores e pesquisadoras de diferentes áreas, evidenciando a complexidade e a relevância cultural dessas práticas no contexto contemporâneo. Em formato de e-book, o livro está disponível para download gratuito no Portal de Livros Abertos da USP neste link.

De acordo com a professora Soraya, a obra representa o repertório expressivo, sensível e lúdico da humanidade, traduzido por meio de brincadeiras, jogos, trabalho coletivo e danças, que revelam culturas e modos de ser de uma imensa sociodiversidade (e biodiversidade). “Nossas pesquisas demonstram que é por meio dos jogos e de práticas corporais que as comunidades tradicionais se relacionam ludicamente entre si, mas também com o meio e ambiente e com outras espécies. O lúdico é um elemento ontológico aqui. Os jogos tradicionais e autóctones promovem a saúde de suas comunidade e também a saúde global, preconizada pela Unesco”, explica a professora.

Ao longo de 314 páginas, a obra apresenta pesquisas de práticas de diferentes populações, mas também reflexões teóricas sobre o campo, especialmente para a área de educação física e esporte, mas também para a educação, a cultura, a saúde e o lazer. A obra, analisa Soraya, enaltece a diversidade do nosso patrimônio biocultural. “Já estão identificadas, no Brasil, mais de 28 tipos de comunidades tradicionais. Apenas dentre as indígenas, são 305 etnias. Sem contar as quilombolas e todos os outros mais de 20 tipologias. Considerando que cada qual possui seus jogos e práticas corporais, estamos falando então da maior ludo diversidade do planeta. Deste modo, esta produção acadêmica busca enaltecer esta diversidade, sem pretender esgotá-la”, destaca.

Fenômeno social, educativo e de saúde pública

No livro são apresentadas reflexões e experiências que evidenciam como o campo dos jogos e esportes tradicionais se consolidaram academicamente, dialogando com áreas como Educação Física, Esporte, Lazer, Educação, Cultura e Saúde. Essa trajetória demonstra um esforço consistente para compreender tais práticas em suas múltiplas interfaces, explorando seus impactos socioculturais e educativos, assim como sua capacidade de favorecer processos de inclusão, equidade e participação cidadã.

Festival de Jogos Tradicionais na Escola Municipal Desembargador Amorim Lima – Foto: Soraia Chung Saura/Livro Jogos e Esportes Tradicionais

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Integrante da Coleção ABCD Agenda 2030, o livro também atende o compromisso da Universidade com os princípios da sustentabilidade, da justiça social e do respeito à diversidade cultural.
Os jogos e esportes tradicionais, entendidos como expressões culturais e manifestações de lazer, transcendem a dimensão recreativa para se apresentarem como fenômenos sociais, educativos e de saúde pública.

Alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU/Unesco, tais práticas contribuem para a promoção da saúde global, para a valorização da diversidade cultural e para a construção de sociedades mais inclusivas. Nesse sentido, a obra destaca a relação dessas práticas com os ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), 4 (Educação de Qualidade), 5 (Igualdade de Gênero), 10 (Redução das Desigualdades), 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), reforçando seu potencial interdisciplinar e sua contribuição para políticas públicas relevantes.

O livro revisita conceitos e fundamentos, mas também traz análises de experiências no Brasil e no exterior. Ao longo das páginas, mostra a diversidade dessas práticas e como elas podem ser aplicadas em diferentes contextos sociais e institucionais. O texto destaca ainda a relevância do diálogo entre culturas e da preservação do patrimônio imaterial ligado aos jogos e esportes tradicionais, tema cada vez mais atual diante das mudanças sociais, tecnológicas e urbanas do mundo contemporâneo.

Relações de igualdade

Soraya acredita que sempre é possível jogarmos e brincarmos juntos. “Quando jogamos barreiras estruturais como interseccionalidades de idade, gênero, etnia, classe e assim por diante, tendem a se amenizar em favor do jogo, promovendo pertença e relações mais equânimes. Um livro com diferentes pesquisas e abordagens demostra a grandeza do tema, reforça sua diversidade e traz para o debate um esporte lúdico e saudável”, ressalta

Capa do livro LivroJogos e Esportes Tradicionais

Para a elaboração do livro as autoras realizaram seminários internacionais sobre o tema de forma regular, desde 2012, em anos olímpicos, para ampliar a reflexão sobre a diversidade ética e estética dos jogos e dos esportes tradicionais. Mapearam pesquisadoras e pesquisadores nacionais e internacionais e a partir destes seminários, selecionaram os trabalhos que foram submetidos para compor esta obra. Também foram realizados inúmeras parcerias para desenvolver essa temática, com destaque para Unesco/ONU e trabalhos que dialogam especialmente com o campo da Filosofia do Esporte, realizando aproximações com a fenomenologia e os estudos do imaginário. Também foi priorizado a diversidade de temas, como esportivização, brincar e o próprio modo de jogar e viver das comunidades. “Vale ressaltar que as imagens são de Renata Meirelles, pesquisadora do projeto Território do Brincar e nossa parceira nas pesquisas que envolvem o Brincar Livre e Tradicional”, lembra Soraya.

O livro está disponível para download gratuito no Portal de Livros Abertos da USP e no site da Unesco

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Com informações da Assessoria de Comunicação da EEFE



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